domingo, 5 de fevereiro de 2012

A importância de valorizar o presente

A maioria de nós encontra-se aprisionado no passado, não tendo capacidade para usufruir verdadeiramente o momento presente. Isso acontece sempre que insistimos em reviver, mentalmente, momentos do passado. Agarramo-nos por exemplo a momentos de felicidade e fazemos dessas recordações a nossa principal prioridade, não querendo enfrentar o que entretanto mudou ou é necessário mudar para que continue a haver progresso nas nossas vidas. Ou então, revivemos cenas de sofrimento e perda, multiplicando a dor através da sua infindável recriação. Em vez de sofrermos uma vez, estaremos a sofrer perpetuamente.

Outra variante será o vivermos permanentemente focalizados no futuro. Idealizamos o que viveremos quando encontrarmos o homem ou a mulher dos nossos sonhos, quando nos casarmos, quando tivermos filhos, ou mesmo quando entrarmos na reforma. Sonhamos com o feliz que seremos quando tivermos dinheiro para dar a volta ao mundo, para comprar aquela casa espetacular ou aquele automóvel de capa de revista. Muitas vezes esses momentos não acontecerão nunca ou, se acontecerem, não provocarão o impacto que nós imaginávamos.

O problema ao manter o foco no passado ou no futuro é que nos arriscamos a nunca viver na realidade. Estaremos sempre a viver de ilusões, uma vez que o único momento que temos para viver verdadeiramente é o Agora. Somente o presente existe. Não estou a viver quando revivo cenas do passado nem estou a viver quando idealizo momentos do futuro.

Assim, o mais sensato será fazermos um esforço para limpar a mente e aprender a extrair de cada pequeno acontecimento o seu significado mais profundo. Que coisas há no seu dia a dia que valham a pena?

A felicidade constrói-se quando tomamos consciência e nos focalizamos em cada acontecimento para nós significativo. Quando aproveitamos cada fração de tempo que nos toca a alma e enche o coração. Veja, por exemplo, o que sente ao imaginar:

  • O cheiro a terra molhada no jardim quando chove
  • O sorriso puro do bebé que o fita
  • As manifestações de carinho que recebe dos outros
  • O abanar da cauda do cão que o espera ou se cruza no seu caminho
  • O quadro ou objeto de arte que lhe cativou a alma
  • A música que lhe dá paz de espírito ou o põe a dançar
  • A passagem de um livro que o marcou
  • O passeio pela natureza que lhe transmitiu paz 
  • A conclusão de um trabalho bem feito
  • Explorar sítios novos
  • Manifestar a sua própria genuinidade
  • Tomar um banho quente em dias frios
  • O passar momentos com aqueles de quem gosta

De tudo isto, e de muito mais que não foi escrito, podemos no dia a dia retirar os nossos momentos de felicidade. É somente requerido que aprendamos a valorizar cada um desses acontecimentos, no preciso momento em que está a ocorrer e não antes nem depois.

Cada novo dia é um presente, uma oportunidade de renascimento, uma oportunidade. O passado é importante para avaliarmos o que nos aconteceu, que experiências foram acumuladas, que erros foram cometidos e as lições que nos proporcionaram. Digamos que o passado nos colocou no patamar em que agora nos encontramos. O futuro é importante para nos fazer situar mentalmente nas metas que pretendemos alcançar. O que quero ser? Onde quero chegar?

A partir daí, só o presente nos oferece espaço de manobra. Só no presente podemos analisar, questionar, refletir, explorar, mudar de direção se for necessário, recomeçar, em suma agir.

É necessário que aceitemos viver o momento presente, acreditando que as atuais circunstâncias em que nos encontramos, boas ou más, são as necessárias para avançarmos e progredirmos. É necessário aproveitar cada pequeno momento. Caso contrário, correremos o risco de não chegar a viver.


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