sábado, 17 de setembro de 2011

Que coisas são imprescindíveis para si?


Li recentemente uma entrevista com Andrew Hyde, um jovem criativo, consultor e empresário americano que achei bastante interessante e motivo de reflexão. Nessa entrevista, Hyde revelava ter um dia decidido viajar pelo mundo durante pelo menos um ano. Para isso, deixou o seu emprego e colocou lista na internet, vendendo tudo ou quase tudo o que lhe pertencia. Desde automóvel a motos, capacetes, material informático e artigos de vestuário, passando por artigos como tendas e botas de neve, por todo o mobiliário e equipamento do apartamento onde morava, livros, etc.


Hyde, se bem que pertencente a uma geração em que se medem as pessoas por aquilo que possuem ou não possuem, conseguiu libertar a mente e libertar-se de praticamente todos os seus pertences. Fê-lo sem lamentações e até com um certo orgulho. Orgulho esse retirado certamente da originalidade facultada pelo transpor do conceito minimalista (tão utilizado por exemplo na expressão artística) para o quotidiano. Neste caso tratava-se de como viver com o mínimo possível de objectos.

Para viajar, conseguiu ir limitando artigos até chegar a uma lista de somente quinze objectos que considerou para ele imprescindíveis. Se, como eu, sentir curiosidade em saber o que escolheu Hyde, eis aqui a lista:

  1. Mochila
  2. Iphone
  3. Máquina fotográfica
  4. Ipad
  5. Camisa de mangas compridas
  6. Camisa de mangas curtas
  7. Calças compridas
  8. Bermudas
  9. Roupa interior
  10. Sandálias
  11. Óculos de sol
  12. Carteira
  13. Toalha
  14. Jaqueta
  15. Estojo de toillete

‘*Hyde contou os carregadores do material informático como fazendo parte de cada item (Iphone, Ipad e Câmara fotográfica) Como roupa interior considerou também vários artigos.

Somente com estes objectos realizou 30-45 dias de viagem, não tendo considerado que se estivesse a privar de alguma coisa, à parte o facto de sentir saudades de diversificar as cores do vestuário. Por outro lado, referiu ter acumulado uma enorme bagagem em termos de experiência, salientando ter aprendido, entre outras coisas, o seguinte:

  • Ser mais paciente
  • Apreciar mais as coisas
  • Comer menos
  • Ser mais feliz
  • Ser mais rápido a julgar e a procurar alguém para viajar de novo com ele
  • Saber como é sentir-se diferente, falar de modo diferente e ser de facto diferente
  • Focalizar-se sempre nos aspectos positivos. Quando as coisas corriam menos bem, decidia valorizar pormenores (como a beleza da paisagem ou das pessoas que encontrava).

Como é que ele planeava o que fazer e visitar durante as viagens que realizou? Muito simples, não considerava planos a longo prazo. Fazia a reserva de alojamento em hostels através da internet, seguia as recomendações de pessoas que ia encontrando, fazia amizades e seguia lado a lado com outros viajantes de mochila como ele próprio. Para Hyde a vida passou a ser uma viagem, literalmente.

Esta história dá que pensar. Obviamente que a grande maioria de nós não poderá vender tudo o que tem e dedicar o resto dos dias a viajar pelo mundo (se bem que o desejassemos ardentemente), contudo, aqui deixo algumas questões para reflexão:

  • Até que ponto me faço rodear de coisas que não preciso?
  • O que posso dispensar em casa e no quotidiano, contribuindo para uma poupança significativa dos meus recursos e até dos recursos do planeta?
  • Que coisas acredito serem-me imprescindíveis? Anote numa lista.
  • Consigo reduzir ainda mais um pouco a lista, até atingir o número de coisas que tenho a certeza me será realmente impossível viver sem elas?
  • Se viajasse por períodos de 45 dias, conseguiria reduzir o conteúdo da minha bagagem a 15 artigos, como fez Hyde? Quais seriam?
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