sábado, 24 de setembro de 2011

A Ostra e a Pérola



Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas.


Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão de areia.

Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado, uma linda pérola vai se formando.

Uma ostra que não foi ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.

O mesmo pode acontecer connosco. Já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Já sofreu o duro golpe do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?

Então, produza uma pérola!

Cubra suas mágoas com várias camadas de AMOR.

A maioria das pessoas aprende apenas a cultivar ressentimentos e mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.

Assim, na prática, o que vemos são muitas "Ostras Vazias", não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.

Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais do que mil palavras.



Fontes: Livro - A Ostra e a Pérola, de Adriana Dantas de Mariz


sábado, 17 de setembro de 2011

Que coisas são imprescindíveis para si?


Li recentemente uma entrevista com Andrew Hyde, um jovem criativo, consultor e empresário americano que achei bastante interessante e motivo de reflexão. Nessa entrevista, Hyde revelava ter um dia decidido viajar pelo mundo durante pelo menos um ano. Para isso, deixou o seu emprego e colocou lista na internet, vendendo tudo ou quase tudo o que lhe pertencia. Desde automóvel a motos, capacetes, material informático e artigos de vestuário, passando por artigos como tendas e botas de neve, por todo o mobiliário e equipamento do apartamento onde morava, livros, etc.


Hyde, se bem que pertencente a uma geração em que se medem as pessoas por aquilo que possuem ou não possuem, conseguiu libertar a mente e libertar-se de praticamente todos os seus pertences. Fê-lo sem lamentações e até com um certo orgulho. Orgulho esse retirado certamente da originalidade facultada pelo transpor do conceito minimalista (tão utilizado por exemplo na expressão artística) para o quotidiano. Neste caso tratava-se de como viver com o mínimo possível de objectos.

Para viajar, conseguiu ir limitando artigos até chegar a uma lista de somente quinze objectos que considerou para ele imprescindíveis. Se, como eu, sentir curiosidade em saber o que escolheu Hyde, eis aqui a lista:

  1. Mochila
  2. Iphone
  3. Máquina fotográfica
  4. Ipad
  5. Camisa de mangas compridas
  6. Camisa de mangas curtas
  7. Calças compridas
  8. Bermudas
  9. Roupa interior
  10. Sandálias
  11. Óculos de sol
  12. Carteira
  13. Toalha
  14. Jaqueta
  15. Estojo de toillete

‘*Hyde contou os carregadores do material informático como fazendo parte de cada item (Iphone, Ipad e Câmara fotográfica) Como roupa interior considerou também vários artigos.

Somente com estes objectos realizou 30-45 dias de viagem, não tendo considerado que se estivesse a privar de alguma coisa, à parte o facto de sentir saudades de diversificar as cores do vestuário. Por outro lado, referiu ter acumulado uma enorme bagagem em termos de experiência, salientando ter aprendido, entre outras coisas, o seguinte:

  • Ser mais paciente
  • Apreciar mais as coisas
  • Comer menos
  • Ser mais feliz
  • Ser mais rápido a julgar e a procurar alguém para viajar de novo com ele
  • Saber como é sentir-se diferente, falar de modo diferente e ser de facto diferente
  • Focalizar-se sempre nos aspectos positivos. Quando as coisas corriam menos bem, decidia valorizar pormenores (como a beleza da paisagem ou das pessoas que encontrava).

Como é que ele planeava o que fazer e visitar durante as viagens que realizou? Muito simples, não considerava planos a longo prazo. Fazia a reserva de alojamento em hostels através da internet, seguia as recomendações de pessoas que ia encontrando, fazia amizades e seguia lado a lado com outros viajantes de mochila como ele próprio. Para Hyde a vida passou a ser uma viagem, literalmente.

Esta história dá que pensar. Obviamente que a grande maioria de nós não poderá vender tudo o que tem e dedicar o resto dos dias a viajar pelo mundo (se bem que o desejassemos ardentemente), contudo, aqui deixo algumas questões para reflexão:

  • Até que ponto me faço rodear de coisas que não preciso?
  • O que posso dispensar em casa e no quotidiano, contribuindo para uma poupança significativa dos meus recursos e até dos recursos do planeta?
  • Que coisas acredito serem-me imprescindíveis? Anote numa lista.
  • Consigo reduzir ainda mais um pouco a lista, até atingir o número de coisas que tenho a certeza me será realmente impossível viver sem elas?
  • Se viajasse por períodos de 45 dias, conseguiria reduzir o conteúdo da minha bagagem a 15 artigos, como fez Hyde? Quais seriam?
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sábado, 10 de setembro de 2011

O pai perdoa


Escute, filho: enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado da sua cama.

Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir a escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão.

Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café da chávena. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para apanhar o comboio, você virou-se, abanou a mão e disse “Chau, papai !” e, franzindo o sobrolho, em resposta eu disse-lhe: “Endireite esses ombros!”

De tarde, tudo recomeçou. Voltei e quando cheguei perto de casa vi-o ajoelhado, jogando o berlinde. Suas meias estavam rasgadas. Humilhe-o diante de seus amiguinhos, fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras - se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai!

Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei o meu olhar do jornal, irritado com a interrupção, você parou à porta: “O que é que você quer?”, perguntei implacável.

Você não disse nada, mais saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou seu braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subindo correndo os degraus da escada.

Bom, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. O que estava o hábito fazendo de mim? O hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas - era essa a maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o facto é que eu esperava demais da juventude . Eu o avaliava pelos padrões da minha própria vida .

E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e de dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite, filho. Entrei na penumbra de seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, envergonhado!

É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um pai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei a língua quando palavras impacientes quiserem sair da minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: ” Ele é apenas um menino - um menininho ! ”

Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito.

Em lugar de condenar os outros, procuremos compreendê-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade. ” Conhecer tudo é perdoar tudo “.

"Father forgets", W. Livingston Larned


sábado, 3 de setembro de 2011

A vida como uma estrada


Vamos, por breves instantes, comparar a nossa vida com uma estrada. Vamos supor que necessitamos chegar a um determinado ponto longínquo e desconhecido para nós. Certamente, a primeira coisa que faremos será pegar num mapa, assinalar a nossa meta e traçar as estradas que nos conduzem do ponto onde estamos a esse determinado ponto que pretendemos alcançar. Outros detalhes poderão ser igualmente importantes, tal como determinar o tempo que levaremos a lá chegar, as etapas da viagem, os recursos necessários, etc.

De igual forma, na nossa vida, depois de identificadas as nossas metas, necessitamos de elaborar um plano detalhado quanto aos seguintes aspectos:

  • Que acções são necessárias para atingir os meus objectivos?
  • Em quantas etapas posso dividir o percurso?
  • Qual o prazo de tempo requerido para cada uma das etapas e acções?
  • São necessárias competências, recursos específicos ou ajudas externas?
Quando empreendemos uma viagem, mesmo na posse de um mapa, é possível que nos enganemos no caminho. Isso não será razão para desistirmos da viagem. Iremos certamente encontrar novos trajectos e reformular direcções.

De igual forma, na nossa vida, é possível que cheguemos à conclusão que nos enganámos em determinado ponto. É importante a tomada de consciência desse erro, para que possamos preparar novas abordagens. Parar não é uma opção. A única opção será encontrar novas maneiras para superar os obstáculos e chegar à etapa seguinte. Desde que mantenhamos o foco na nossa meta, conseguiremos sempre encontrar novos caminhos.

Quando viajamos, por vezes, somos tentados a desviar-nos da estrada principal. Por mais receio que tenhamos de nos aventurar no desconhecido, sabemos que os caminhos menos viajados costumam oferecer a recompensa das paisagens mais deslumbrantes.

Assim é também na vida. Por vezes, é necessário arriscarmos e fazermos pequenos desvios aos planos traçados. De outra forma, perderemos o encanto e prazer facultados por oportunidades esporádicas que a vida tem para nos oferecer. Assim, o poder de adaptação e a flexibilidade são capacidades que precisamos desenvolver.

Sempre que chegue a uma encruzilhada, decida confiar na sua intuição para o orientar. Seja espontâneo e permita-se entrar em contacto com o seu interior. Espontaneidade dá-lhe liberdade e a possibilidade de obter sucesso em novos empreendimentos.

Algumas perguntas de auto-reflexão pertinentes:

  • Estou focalizado nas minhas metas?
  • Como poderei tornar-me mais flexível e aberto à mudança?
  • Que alterações posso fazer para garantir que desfruto tanto o destino final como a viagem em si?
  • Tenho por costume confiar na minha intuição? O que faço para a desenvolver?
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