domingo, 31 de julho de 2011

Quando o desânimo nos leva a desistir

Começou por ser difícil para a Maria conseguir identificar objectivos. A verdade é que ela não sabia muito bem o que queria da vida. Sentia que as coisas não estavam bem, tanto no emprego como na vida pessoal, mas não conseguia discernir aquilo que a faria feliz e realizada. Os seus sonhos eram demasiado vagos, do tipo “gostaria de viver num mundo melhor, onde as pessoas tivessem valores e se ajudassem umas às outras; gostaria de ter mais dinheiro”. Pois sim, mas e que mais? Só isso não chegava para traçar objectivos de um modo realista.


Após algum tempo de trabalho interior, as coisas mudaram de figura. A Maria estava eufórica porque tinha descoberto aquilo que poderia contribuir para que a sua vida ganhasse uma nova cor. Conhecia agora as suas paixões, os seus talentos, a forma de fazer a diferença no mundo. Tinha finalmente um sonho pelo qual lutar. Podia estabelecer um plano de objectivos.

A Maria acreditou. Durante algum tempo empenhou-se verdadeiramente em tomar diligências que a colocassem no rumo das suas metas. Estava avisada que não ia ser fácil, que iria encontrar obstáculos pelo caminho mas manifestava-se determinada a não recuar.

Contudo, o tempo foi passando sem que nada de novo acontecesse. Os seus esforços não eram recompensados e, por isso, rapidamente começou a sentir-se desencorajada e frustrada. Começou a duvidar das suas capacidades. Desabafou com o pai, o que serviu para a precipitar mais fundo ainda no desânimo. “Filha, é tudo muito bonito mas a realidade é que precisas de dinheiro ao fim do mês. Esses teus sonhos estão-te a dar dinheiro?” Não estavam. Por isso, acreditou que estava a ser irrealista e começou a procurar todos os tipos de desculpa para abandonar os seus projectos. Afinal de contas, o seu trabalho não era tão mau assim. Afinal de contas havia muita gente desempregada e a passar fome. Afinal de contas ela tinha o seu ordenado ao fim do mês. Afinal de contas a sua vida não era tão má assim, tinha a sua família que a apoiava, etc., etc.

Escusado será dizer que a Maria desistiu de lutar pelos seus sonhos e colocou os seus projectos na gaveta. Optou por ficar na sua zona de conforto, não tomar mais riscos nem gastar mais tempo. Conformou-se com uma vida que sabia não ser a melhor para si mas que lhe garantia o estilo de vida a que estava habituada.

Infelizmente, a Maria não é um caso único. Situações como esta são muito frequentes e são a causa da maioria dos fracassos. Porque é que isto aconteceu? Simplesmente porque fazemos parte de uma sociedade em que se exigem resultados imediatos. Tudo é urgente, tudo tem prazos curtos, tudo é descartável. Não funciona, deita-se fora. A Maria, como muitos de nós, não conseguiu esperar. Quis forçar as coisas a acontecer.

Seguem-se algumas ideias:

  • Elabore o seu plano de acções com minúcia e detalhe. Esforce-se por estabelecer e cumprir todas as etapas.
  • É preciso conceder tempo às nossas intenções para que estas se manifestem. É necessário ter perseverança e não desistir. 
  • Não forçar as situações. Por vezes as coisas manifestam-se de forma completamente diferente ao que idealizamos. Esteja receptivo a condições e oportunidades inesperadas. Preste atenção às coincidências. Existem mil caminhos que levam ao que pretendemos atingir, por isso temos de ser flexíveis com as circunstâncias, apesar de ser imprescindível não perdermos a focalização nas nossas metas.
  • Quando der consigo a sentir-se desencorajado, procure por livros, artigos e material que lhe sirva de motivação. Procure a ajuda de profissionais ou de alguém que sabe ter passado pelas mesmas etapas que precisa enfrentar. Da mesma forma, evite falar dos seus projectos com pessoas conformadas com a mediocridade.
  • Recorra a todo o tipo de expediente para se manter focalizado. Mantenha-se permanentemente ligado com os seus sonhos, com os seus objectivos. Cada dia que passa esforce-se por fazer pelo menos uma acção que tenha a ver com esses objectivos.
  • Esteja preparado para proceder a ajustes quando necessário. Ou seja, se determinada acção se revelar errada, aprenda com o erro e faça de outra maneira. Encare os erros como aprendizagem e nunca como fracasso. Só nunca erra quem escolhe não sair do mesmo lugar.

Para finalizar, posso dizer-vos que os sonhos da Maria não eram de todo irrealistas, a noção do prazo de resposta é que foi completamente irrealista. Era necessário resistência, esforço continuado e perseverança. Se fosse fácil e rápido, todas as pessoas sem excepção estariam a viver os seus sonhos.


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