quarta-feira, 27 de abril de 2011

Qual a qualidade dos seus pensamentos?


Todos os dias temos milhares de pensamentos e é impossível conseguir manter um registo de todos eles. Mas será útil tomar o hábito de ocasionalmente prestar atenção ao que está a pensar. Se o fizer, ficará de certeza admirado com a quantidade de pensamentos imprestáveis que circulam pela sua mente.

Por pensamentos imprestáveis entende-se todos os pensamentos negativos que não contribuem para oferecer soluções ou transmitir bem-estar. Preocupações acerca de coisas que ainda não aconteceram e que muito provavelmente nunca chegarão a acontecer. Ideias de fatalismos e desgraças igualmente improváveis. Maus julgamentos e mexericos acerca dos outros. Críticas acerca de coisas que estão erradas e não funcionam, sem a preocupação de procurar soluções. Dúvidas e ideias obsessivas de como e porque não conseguirá fazer determinada coisa. Tudo isto é negativo e sem sentido e, como tal, deve ser considerado lixo na medida em que não tem nenhuma utilidade. Tudo o que ganhará em alimentar este tipo de pensamentos será sentir-se mal e manter um estilo de vida medíocre.

A sua mente irá sempre criar situações e eventos em sintonia com aquilo que pensa com regularidade. Quando se focaliza nas coisas que podem correr mal, está de facto a criar situações que realmente não funcionam. Assim sendo, se o seu objectivo é usufruir de sucesso e alegria, então é importante proceder à mudança desses pensamentos por outros positivos. Pensamentos que sirvam de alavanca para que tenha uma vida melhor, lhe ofereçam soluções e contribuam para a resolução assertiva de problemas.

Em vez de pensar em tudo o que pode correr mal, pense em tudo o que pode correr bem. Pergunte-se de que forma as coisas podem funcionar bem. Pergunte-se de que forma poderá melhorar a sua vida e encontrar soluções. Ao fazê-lo, estará a focalizar-se nos aspectos positivos da sua vida. E assim serão criadas novas soluções e saídas positivas.

Poderá seguir os seguintes passos:

  1. Disponha-se a prestar atenção aos seus pensamentos com regularidade.
  2. Observe e analise esses pensamentos. Pergunte a si próprio: Será que este pensamento ou crença joga a meu favor? É de alguma utilidade para mim ou para os outros? Faz-me sentir bem? 
  3. Em caso positivo, óptimo. Trate de manter esse padrão de pensamento. Em caso negativo, então de facto é necessário que substitua esses pensamentos.

Pode mudar os pensamentos simplesmente pensando o oposto ou criando um novo pensamento que o ajude a concretizar aquilo que deseja. Por exemplo, se dá por si a procurar razões para não conseguir superar determinado desafio, procure em vez disso por razões para conseguir superar esses desafios. Procure estratégias, procure soluções construtivas. Pense nas suas qualidades e capacidades, pense que será capaz, mesmo que seja necessário procurar a ajuda externa de especialistas.

Quando se acredita que se consegue fazer determinada coisa ou que determinado problema tem solução, as saídas começam a surgir, por vezes das formas mais simples. O segredo reside em procurar sempre eliminar os pensamentos negativos, substituindo-os por outros positivos. Lembre-se que se não fizer nada para criar a vida que quer, se não analisar o modo como a sua mente funciona, tudo ficará na mesma.



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domingo, 17 de abril de 2011

Fairy Night Song

Para descontrair ao som de Fairy Night Song. Do universo mágico de Gary Stadler, com a cumplicidade de imagens editadas por MereRana.


sábado, 9 de abril de 2011

O acordar de um sonho

… Certo dia, por muito ocupados que possamos estar com coisas pessoais inconsequentes, algo acontece, algo catastrófico, e o nosso pequeno mundo fica estilhaçado ou tão rachado, tão amolgado, que nunca poderemos voltar realmente a sentir-nos bem, vivendo nele. É como se, até aí, nunca tivéssemos nascido, como um pinto no seu ovo. Mas subitamente o nosso pequeno mundo parte-se e abre, e damos por nós a espreitar por uma fenda para um outro mundo mais vasto. A realidade começou finalmente a irromper. Começamos a ver as coisas como elas realmente são. Sentimo-nos como se tivéssemos crescido, já não nos sentindo arrebatados pelos brinquedos e contos da infância. Ou então é como se tivéssemos acordado de um sonho. Quando imersos nos nossos sonhos, o que quer que aconteça parece tão real, tão vivido, como a nossa experiência acordada. Mas quando acordamos, breve se extingue o mundo dos sonhos. Passados poucos minutos, ou talvez algumas horas, já nada é, geralmente, nem sequer uma memória. Da mesma maneira, quando a realidade irrompe na nossa existência adormentada e cómoda, olhamos para trás para a nossa antiga vida, para todas as velhas actividades em relação às quais perdemos todo o apetite que em tempos sentimos, e dizemos: “Como posso eu ter vivido assim? Seria aquele realmente eu? Seria eu realmente tão louco, tão iludido?»


Em resultado deste tipo de experiência, o nosso comportamento muda, tal como um adulto se comporta de maneira diferente com uma criança. E as pessoas notarão talvez que não somos os mesmos de antes, que mudámos. Poderão interrogar-se se não haverá qualquer coisa de errado connosco. “Passa-se alguma coisa contigo?”, perguntarão e não de modo desagradável. Se bem que, em privado, possam pensar que não estamos bem do juízo, porque já não nos interessamos pelo mesmo tipo de coisa que costumávamos, deixámos de fazer as coisas que as outras pessoas gostam de fazer.

O acontecimento que nos estilhaça o mundo privado é muitas vezes desagradável. Pode ser um falecimento, ou a perda de um emprego, ou o abandono de quem se ama, ou a descoberta da infidelidade do cônjuge. Por outro lado, a irrupção pode verificar-se de modo mais agradável. Subitamente, temos uma percepção nova através da arte, ou talvez da música, da poesia. E pode ainda ocorrer através de uma experiência que nem é agradável nem desagradável, nem sequer súbita. Acontece apenas sentirmo-nos descontentes e insatisfeitos. Mas o que quer que seja que sirva de fio condutor, a experiência que se lhe segue tende a ser dolorosa, perturbadora e desgastante, porque os velhos padrões são alterados, os antigos moldes quebrados.



Sangharakshita, in Quem é o Buda

sábado, 2 de abril de 2011

Exercício de Meditação

Não é fácil conseguir o equilíbrio emocional e mental nos dias em que vivemos. Na verdade, somos confrontados com tantas e tão diversificadas solicitações, saltitamos tão apressadamente de tarefa em tarefa, que corremos o risco de criar para nós próprios e para os que nos rodeiam uma existência desoladora.


Um verdadeiro antídoto para o cenário que acabo de descrever é, sem dúvida, a prática quotidiana da meditação. Com esta prática, podemos serenar a mente e experimentar momentos de paz que contribuirão para melhorar a nossa qualidade de vida.

O segredo para a meditação resume-se em algumas palavras: disciplina, concentração e persistência. Disciplina para que, todos os dias, de preferência à mesma hora, se disponha a sentar por alguns minutos num sítio arejado e acolhedor em que possa estar sozinho e sem ser interrompido. Concentração, para que se consiga focalizar na meditação em si, afastando os pensamentos dispersos que possam surgir. Persistência, para não desistir da prática e continuar diariamente a praticar.

Muitas pessoas sentem dificuldade em encontrar um objectivo para a meditação. Procurando ajudar, proponho o seguinte exercício:

  1. Feche os olhos ou mantenha-os semicerrados, se tem tendência a adormecer. 
  2. Comece a controlar a sua respiração, inspirando e expirando profunda e prolongadamente.
  3. Relaxe cada músculo do corpo, um a um (rosto, pescoço, costas, abdómen, braços, mãos, dedos, ancas, pernas e pés). Se notar alguma tensão, faça por relaxar os músculos ou tendões da área em questão. 
  4. Concentre-se numa música, num som ou simplesmente numa imagem. Se lhe ocorrerem pensamentos dispersos, não os reprima mas afaste-os com gentileza. Simplesmente deixe-os ir como se fossem cenas de um filme. 
  5. Visualize-se envolto numa luz branca simbolizando amor, recebendo essa luz do Universo. Sinta-se inundar por essa luz e, de seguida, visualize que transmite essa luz para as pessoas que lhe são queridas; para os seus familiares; amigos; colegas de trabalho; pessoas com quem se cruza diariamente; todas as pessoas que partilham consigo este planeta e, finalmente, o próprio planeta. Concentre-se somente nessa luz e no sentimento de amor, partilha e cura.
  6. A cada respiração tente ir mais fundo no seu estado de relaxamento.

Para este exercício não são necessários mais do que 5 minutos diários. Notará que sentirá paz e uma sensação de leveza ao retornar ao seu quotidiano.


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