sábado, 24 de dezembro de 2011

Não gosto de você, Papai Noel!






Não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade,
jogavam pedras nessa fantasia!


Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa e me tornei rapaz,
sem esquecer no entanto o que passou.
Fiz-lhe bilhete pedindo um presente,
a noite inteira eu esperei contente,
chegou o sol e você não chegou.


Dias depois, meu pobre pai cansado
trouxe um trenzinho velho, empoeirado,
que me entregou com certa hesitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
"É pra você... Papai Noel mandou..."
E se esquivou contendo a emoção.


Alegre e inocente nesse caso,
pensei que meu bilhete com atraso
chegara às suas mãos no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu,
deu muitas voltas, meu pai sorriu
e me abraçou pela última vez.


O resto só eu pude compreender
quando cresci e comecei a ver
todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a medo:
"Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro na cidade".


Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar,
e como quem não quer abandonar
um mimo que lhe deu quem lhe quer bem,
disse medroso: "Eu só queria ele...
Não quero outro brinquedo, quero aquele
E por favor, não vá levar meu trem".


Meu pai calou-se e pelo rosto veio
descendo um pranto que eu ainda creio,
tão puro e santo, só Jesus chorou.
Bateu a porta com muito ruído,
mamãe gritou, ele não deu ouvidos,
saiu correndo e nunca mais voltou.


Você, Papai Noel, me transformou
num homem que a infância arruinou,
Sem pai e sem brinquedos. Afinal,
dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal!


Meu pobre pai doente, mal vestido,
pra não me ver assim desiludido,
comprou por qualquer preço uma ilusão:
num gesto nobre, humano, decisivo,
foi longe pra trazer-me um lenitivo,
roubando o trem do filho do patrão.


Pensei que viajara. No entanto
depois de grande, minha mãe, em pranto,
contou que fora preso. E como réu,
ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus um dia
entrou na cela e o libertou pro céu!


"Texto de Aldemar Paiva"






sábado, 17 de dezembro de 2011

As cinco maiores causas de arrependimento na hora da morte‏

Bronnie Ware é uma australiana que em determinada época da sua vida teve oportunidade de acompanhar doentes terminais, prestando-lhes cuidados paliativos. Terá assistido de perto ao deflagrar de emoções como revolta, raiva, medo, negação, remorsos, tristeza, depressão, culminando eventualmente em aceitação. Compartilhou momentos únicos e especiais, tendo sido ouvinte de relatos de vida, desabafos e confidências por parte desses doentes protagonizando os seus últimos dias de vida. Cada um deles num intervalo de tempo entre três a doze semanas. 

Desse período que considera enriquecedor para a sua própria aprendizagem de vida, Bronnie guardará decerto como preciosidade a perceção que o ser humano pode com facilidade esgotar a existência sem atingir a realização a que a sua alma aspira. Perceção essa que muitas pessoas só integram tarde de mais na vida, numa altura em que já nada podem fazer.

Os doentes terminais que acompanhou manifestaram, cada um a seu modo, arrependimento por não terem feito certas coisas na vida. Algumas dessas coisas eram comuns a todos eles. Bronnie registou as cinco mais cotadas causas de arrependimento, que indico de seguida. Ofereço os meus comentários a cada uma delas e algumas questões para reflexão.


1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira para mim, e não a vida que os outros esperavam de mim

Quantas vezes não cedemos à vontade dos outros, contra a nossa própria vontade? Abafamos os nossos princípios e os nossos sonhos para agradar a outras pessoas. Corremos o risco de passar por cima dos nossos valores, esquecendo-nos que ao fazê-lo, estamos a destruir a nossa própria identidade. Por mais importante que alguém possa ser na nossa vida, ninguém deverá ser mais importante para nós do que nós próprios. É importante respeitar, diria mesmo considerar como sagrada, a nossa identidade. É connosco que garantidamente viveremos toda a nossa existência, é com as nossas próprias escolhas que nos defrontaremos no final da vida.

  • Quais são os meus valores?
  • Vivo de acordo com os meus valores ou limito-me a fazer o que os outros querem que eu faça?
  • Até que ponto me estarei a adequar a um sistema, ao invés de me mostrar tal qual como sou? 

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto

Independentemente da carreira profissional ser muito importante, fornecendo-nos a nossa fonte de rendimento e sendo por consequência fator de sobrevivência, segurança e conforto, muitas vezes focalizamo-nos demasiado no trabalho e passamos pela vida sem dar importância ao essencial. Os nossos entes queridos, os amigos, os nossos sonhos são colocados de lado enquanto nos centralizamos em produzir dividendos. Trabalhamos mais e mais, a maioria das vezes em profissões que não nos agradam nem realizam.

  • O que estou a perder de importante, enquanto focalizo o meu tempo na carreira?
  • O meu trabalho realiza-me ou pelo contrário serve unicamente para me garantir dinheiro ao fim do mês?
  • De que modo poderei simplificar o meu estilo de vida, para que diminuam os meus encargos financeiros? É possível viver dignamente com menos rendimento?

3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar os meus sentimentos

Esconder os nossos sentimentos para obter uma aparente tranquilidade com os outros, acaba por ser a médio prazo uma armadilha contra nós próprios. As emoções são para ser vividas, na medida em que funcionam como indicadores daquilo que vai bem ou mal na nossa vida. Emoções negativas reprimidas corroem a nossa vida e são fonte de somatização de doenças. A autenticidade, por outro lado, é saudável. É preciso ter a coragem de virar a mesa sempre que for caso disso. Se alguma coisa não está bem, há sempre a possibilidade de negociar soluções satisfatórias para todas as partes. Se não nos dão a hipótese de negociação, devemos questionar o relacionamento em si.

  • Expresso os meus sentimentos ou, pelo contrário, reprimo as minhas emoções?
  • O que me impede de expressar os meus sentimentos?
  • O que perco se expressar os meus sentimentos? E o que ganho?


4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos

A amizade é o relacionamento interpessoal mais valioso que podemos algum dia encontrar. Mas, muitas vezes, é sacrificada na medida em que damos prioridade a outras coisas. Carreira profissional, estatuto social, imagem, deveres familiares, afazeres domésticos consomem todo o nosso tempo. As amizades vão-se diluindo, por não sabermos atribuir-lhes a importância devida. E é possível que cheguemos ao final do nosso percurso sem ter nenhum amigo por perto. É preciso parar enquanto é tempo, refletir e tomar as medidas necessárias para que isso não venha um dia a acontecer.

  • Tenho amigos de longa data?
  • Em que medida as minhas prioridades na gestão do tempo estão bem definidas?
  • Estou a fazer tudo o que me é possível para alimentar a amizade?

5. Eu gostaria de me ter permitido ser mais feliz

É surpreendente que todos nós desejemos acima de tudo ser felizes e que, afinal, a maioria de nós não o venha nunca a conseguir. Como é que isto acontece? Talvez seja porque nos deixamos prender a preconceitos, protocolos sociais e padrões culturais. Socialmente, muitas pessoas são contidas, outras são mesmo falsas. A espontaneidade é entendida como prejudicial, na medida em que se pode estar a fugir às regras estabelecidas. O fingimento e a adulação das pessoas certas são um atalho fácil para conseguir a aprovação dos outros. Por outro lado, existe confusão quanto ao ter, possuir. Ilusoriamente é-nos inculcado que ter dinheiro e estatuto é sinónimo de felicidade. São-nos vendidas as caras sorridentes dos "famosos" nas revistas mas a maior parte das vezes e se olharmos com olhos de ver, descobrimos sorrisos forçados. Quanta tristeza lá no fundo!

Para sermos felizes talvez seja suficiente estarmos de bem com a vida e com aqueles que nos rodeiam. Simplicidade, humildade, autenticidade e genuinidade andam decerto de mãos dadas com a felicidade. É preciso que aprendamos a apreciar as coisas simples. As melhores coisas da vida não se pagam. Muitas vezes não as desfrutamos por estarmos muito ocupados a correr atrás de outras coisas. A felicidade é, antes de mais, uma escolha.

  • Quais são os meus sonhos? Empenho-me em torná-los realidade ou limito-me a realizar os sonhos dos outros?
  • O que tenho de mudar para poder viver segundo os meus sonhos?
  • O que posso fazer para adquirir paz e harmonia interior?

Não se esqueça nunca do principal de tudo, o AMOR. Nos momentos finais não importa quanto dinheiro tenha adquirido, o que importa é quanto amor tenha gerado. É pelo amor que nos devemos mover sempre. Por isso, na procura e entrega desse amor, não tenha medo de correr riscos e de lutar contra as regras estabelecidas ou opiniões alheias, se for caso disso.

A vida é só uma breve passagem.  Permita-se rir quando tiver vontade de rir, permita-se fazer aquilo que lhe dá mais prazer, permita-se seguir os seus sonhos.  Cuide bem de si e dos outros. Esforce-se para que nos últimos dias da sua vida possa vir a considerar que a sua vida foi bem vivida e valeu a pena.


Original inspirado no seguinte texto de Bronnie Ware: http://www.inspirationandchai.com/Regrets-of-the-Dying.html

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Palace of Dreams

De Medwyn Goodall, do Album Where Angels Tread. Palace of Dreams é uma música calma e inspiradora, aqui "ilustrada" por um excelente video.

domingo, 27 de novembro de 2011

Acerca da verdadeira amizade

Existe nos dias de hoje alguma confusão acerca do significado de amizade. Muitas vezes, mistura-se o conceito com simples conhecimentos e familiaridades. Por uma qualquer circunstância encontramos alguém com quem precisamos manter um contacto mais ou menos prolongado, existe algum interesse recíproco entre ambos, talvez mesmo alguma cumplicidade e acabamos por confundir esse relacionamento com amizade.

Para ajudar a esclarecer o que se entende por amizade, podemos começar por identificar situações em que esta estará necessariamente ausente.

  • Não existe sinceridade, honestidade e/ou lealdade no relacionamento;
  • Sentimos, mesmo sem saber explicar as razões, que não devemos revelar facetas da nossa própria essência;
  • Somos impelidos a fingir ser quem não somos porque as nossas diferenças não são aceites; 
  • Somos solicitados a moldar-nos a um padrão supostamente normalizado;
  • Temos receio de ser mal interpretados e damos por nós a apresentar demasiadas explicações;
  • Existem desconfianças entre as partes;
  • Existe algum tipo de bajulação;
  • Somos procurados unicamente nos momentos em que precisam de nós e evitam-nos nos momentos que lhes são favoráveis;
  • Existe uma reação de indiferença quando atravessamos por maus momentos;
  • Somos confrontados com exigências intermináveis;
  • Somos procurados por aquilo que temos e não por aquilo que somos.

Curiosamente, Arthur Schnitzler escreveu um dia que “o ódio liga mais os indivíduos do que a amizade”. Pretendia ele dizer com essa afirmação que é mais fácil ser estabelecido um laço entre duas pessoas através do ódio, inveja e desejo de vingança do que através do amor e da amizade. E, de facto, sabemos que é bastante difícil nos dias de hoje encontrar e conseguir manter uma verdadeira amizade.

Para a amizade, é fundamental a reciprocidade de sentimentos mas não é necessário gostar-se das mesmas coisas. Eu posso não me interessar pelos mesmos temas dos meus amigos, contudo apreciar desfrutar momentos com eles, unicamente pela sua companhia e amizade.

Amigo é aquela pessoa que está do nosso lado, nos bons e maus momentos; a quem se pode pedir ajuda em qualquer situação e hora do dia. Amizade é construída com amor incondicional, sinceridade, confiança, lealdade e altruísmo. Podemos, sem margem para receios, confiar os nossos segredos aos nossos amigos e os seus conselhos ajudam-nos a tomar as melhores decisões. Somos encorajados e motivados pelas suas palavras. Somos aceites da forma que somos e apreciados pela nossa unicidade. Aristóteles foi talvez quem disse melhor através da seguinte frase: “O que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos”.

Por outro lado, não basta querer ter amigos para os ter. A amizade é uma questão do coração e não do cérebro. Ou existe ou não existe. Nesse contexto, não pode haver fórmulas para criar um amigo. Contudo, podemos sempre ter em conta algumas considerações para fomentar um bom relacionamento e, quem sabe, uma futura amizade:

  • Procurar relacionar-nos com pessoas que despertem em nós a vontade de sermos a melhor versão de nós próprios. Da mesma forma, evitar aqueles que se lamentam por tudo e por nada; os que somente criticam e não apresentam soluções; os que somam más ações. 
  • Rodear-nos daqueles que possuem qualidades que pretendemos desenvolver em nós próprios. 
  • Procurar a companhia de pessoas cuja presença nos coloca um brilho nos olhos e de bem com a vida. Valorizar aqueles que possuem atributos como o bom humor, espírito positivo e que caminhem na mesma direção.
Para finalizar, constata-se que, por vezes, se perde um verdadeiro amigo por questões insignificantes. Se isso aconteceu algum dia na sua vida, saiba que nunca é tarde de mais para colocar o orgulho de lado e tentar uma reconciliação. Afinal de contas, sendo a amizade uma das mais valiosas relações interpessoais que podemos ter na vida, quando a encontramos temos o dever de a preservar.


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sábado, 19 de novembro de 2011

Como instalar Amor no computador humano

Imagine-se sendo um computador e que o amor (sentimento) é um programa de informática. O que faria se pretendesse instalar amor na sua vida? Poderia talvez começar por telefonar para o suporte técnico do fornecedor do software. Partindo desse pressuposto, a conversação poderia desenrolar-se mais ou menos da seguinte forma:


Suporte técnico: Bom dia, em que posso ser útil?

Cliente: Depois de muito pensar, decidi instalar Amor na minha vida. Será que me pode ajudar?

Suporte Técnico: Com certeza. Podemos então começar?

Cliente: Bem, não sou muito experiente nestas técnicas mas penso que sim. O que devo fazer primeiro?

Suporte Técnico: O primeiro passo é abrir o Coração. Já encontrou o seu Coração?

Cliente: Sim, encontrei, mas estão a correr outros programas neste momento. Não faz mal instalar o novo programa enquanto os outros estão a correr?

Suporte Técnico: Quais são esses programas?

Cliente: Deixe-me ver… Tenho Magoas-Passado.exe, Baixa-Autoestima.exe… Rancor.exe e Ressentimento.exe a correr neste momento..

Suporte Técnico: Não tem problema. Amor vai gradualmente apagar o Magoas-Passado.exe do seu sistema operacional. Ele pode ficar na memória permanente mas não vai mais prejudicar outros programas. Amor irá eventualmente substituir Baixa-Autoestima. exe com um módulo próprio chamado Alta-Autoestima. Porém, será necessário que desative completamente Rancor.exe e Ressentimento.exe. Estes programas impedem o Amor de ser instalado corretamente. Será que os pode apagar neste momento?

Cliente: Eu não sei como apagá-los. Pode ajudar-me?

Suporte Técnico: Com todo o prazer. Vá ao seu botão “Iniciar” e ative Perdão.exe. Faça isso quantas vezes forem necessárias para que Rancor.exe e Ressentimento.exe sejam completamente apagados.

Cliente: Pronto, está feito. Amor começou a instalar-se automaticamente. Isto é normal?

Suporte Técnico: Sim. Deverá aparecer uma mensagem a dizer que o programa se instalou definitivamente no seu Coração. Já apareceu?

Cliente: Sim, agora mesmo. Significa que o novo programa está completamente instalado?

Suporte Técnico: Sim, mas lembre-se que você tem unicamente o programa base. Precisa começar a conectar-se com outros Corações para que obtenha upgrades.

Cliente: Mas apareceu agora mesmo uma mensagem de erro. Diz “Erro – Este programa não corre em componentes internos”.O que quer isto dizer?

Suporte Técnico: Não se preocupe, é um problema comum. Em linguagem corrente significa que tem de Amar a sua própria máquina antes de poder Amar outras.

Cliente: Então e agora, o que faço?

Suporte Técnico: Consegue encontrar uma pasta que diz Autoaceitação?

Cliente: Sim, está aqui.

Suporte Técnico: Clique nos arquivos que lhe vou indicar e que são Autoperdão, Valorização-Pessoal e Consciencia-Limitações.

Cliente: Estou a conseguir. Ena! Meu Coração está a receber novos arquivos. Sorriso.doc, Entusiamo.doc, Paz.doc e Contentamento.doc estão a ser copiados.

Suporte Técnico: Isso quer dizer que Amor está corretamente instalado e ativo. Em princípio não precisará mais da minha ajuda. Só uma coisa antes de desligarmos...

Cliente: Sim?

Suporte Técnico: Amor é um programa gratuito. Assegure-se que o oferece a todas as pessoas que encontrar. Assim, eles irão compartilhar com outras pessoas e, em troca, acabará por receber novos upgrades.

Cliente: Com certeza. Muito obrigado pela sua ajuda.



Autor: Desconhecido
Adaptado de texto de livre circulação na internet.

sábado, 12 de novembro de 2011

Cultivar o amor


Quando se fala em amor, é usual associar-se a palavra ao sentimento romântico entre um par. Contudo, há muitas formas de amor e neste artigo em especial vamos explorar formas de cultivar o amor interpessoal, no seu conceito mais altruísta. O amor pelo nosso semelhante, sem esperar receber nada em troca.

Sendo o amor essencial para a nossa vida, como seres humanos, todos nós o procuramos de uma forma consciente ou mesmo inconsciente. Na verdade, ansiamos reconhecer esse sentimento em nós próprios e nos outros. Contudo, nem sempre é fácil manter o amor vivo, sobretudo na época atual em que o egoísmo impera. Fomos ensinados a desconfiar do mundo à nossa volta, a quase esperar pela maldade que pode a qualquer momento ser lançada por quem nos rodeia. Construímos barreiras entre nós e os outros. Nós sempre cobertos de razões, os outros sempre agindo de má-fé. Obviamente que através destas lentes de separação, é impossível abrir espaço para o amor.

O que fazer para que as coisas deixem de ser dessa forma? Muita coisa pode certamente ser feita, existindo o desejo sincero de contribuir para uma sociedade mais fraterna. Poderei no entanto, sugerir desde já três linhas de ação:

  • Ser simpático para as pessoas ao seu redor
    Distribuir gentileza e atenção pelos outros é meio caminho andado para cultivar qualidades conducentes ao amor. Comece a demonstrar mais simpatia pelos outros e observe o que acontece. Sorria. É provável que os outros reajam da mesma forma e comecem também a ser mais gentis. Por outro lado, verifique como se sente sendo simpático e amável. Aposto que se sentirá bem melhor consigo próprio.
  • Aproxime-se das pessoas que não gostam de si
    Se aspira a ter algum sucesso, habitue-se à ideia de ter alguns inimigos declarados ou ocultos. Na verdade, seja em que circunstância for, é praticamente impossível agradar a toda a gente. Mais tarde ou mais cedo vai deparar-se com pessoas que não gostam de si. O reflexo mais natural será pagar-se da mesma moeda e começar a desprezar essas pessoas. Mas não estou aqui para lhe mostrar os caminhos mais fáceis. Para fazer a diferença no mundo, é preciso agir de formas mais construtivas.
    Já pensou no desafio implicado em conseguir apreciar essas pessoas? Isso mesmo, não se deixar envolver pelo ódio dos outros e persistir em ser simpático. Perdoar e conseguir demonstrar apreço por essas pessoas requere a magnanimidade de um espírito superior, não lhe parece? É possível que esteja neste momento a dizer que não é capaz de o fazer. O desafio está em tentar.
    Existe alguém nas redondezas que não goste de si? Então, nos próximos dias, tente aproximar-se dessa pessoa. Procure conhecer as suas qualidades e pontos positivos. Em que é que essa pessoa se diferencia? Demonstre apreço. Fale-lhe dessas qualidades e pontos positivos. Comente com os outros essas qualidades.
    Se essa pessoa persistir com hostilidade contra si, é importante que compreenda que o problema não é seu mas sim dessa pessoa. Mesmo que precise afastar-se de novo, a sua consciência estará tranquila e isso será muito mais libertador para si do que permitir-se alimentar ódios.
  • Coloque-se no lugar dos outros
    Existem várias formas de analisar o mundo e a maior parte das vezes cometemos o erro de aceitar somente as nossas próprias perspetivas. Todos temos diferentes personalidades e diferentes histórias de vida. Para compreendermos a forma de agir do nosso semelhante, precisamos colocar-nos por momentos na sua “pele”. É fácil criticar os outros, fazer julgamentos e anunciar que faríamos as coisas de uma forma diferente e melhor. Contudo, não estaremos a ser levianos procedendo assim? Antes de lançar a primeira pedra, tente perceber o que sucedeu para que determinada pessoa tenha agido de alguma forma considerada reprovável. Quais são os antecedentes? Qual o ambiente e passado dessa pessoa? Qual a sua história de vida?

Procure todas as formas de alimentar sentimentos como a compreensão, a tolerância, a bondade e a compaixão. Dessa forma estará a cultivar o amor e a contribuir para um mundo melhor.

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sábado, 5 de novembro de 2011

O bigode do tigre

Uma jovem mulher, Yun Ok, foi até ao célebre monge da montanha.

- Ó respeitável sábio - disse ela. - Estou em dificuldades! Faça-me uma poção.
- Tudo bem - disse o sábio. - Qual é sua história?
- É o meu marido. Nos últimos anos, ele esteve ausente, lutando numa guerra. Agora que voltou, quase não fala comigo. Se falo, ele parece não ouvir. Quando abre a boca para falar, é rude. Se lhe sirvo comida, ele não gosta; empurra o prato para o lado e sai da mesa, raivoso. Preciso de uma poção para que ele volte a ser amoroso e carinhoso!
O sábio respondeu:
- Tenho a receita. Mas o ingrediente essencial é o bigode de um tigre vivo.
- O bigode de um tigre vivo! - Disse a moça. - Como vou conseguir isso?
- Se a poção for realmente importante para você, então você terá êxito - respondeu o monge.

A moça foi para casa. Naquela noite, enquanto o marido dormia, saiu furtivamente com uma tigela de arroz e um naco de carne. Chegou a uma prudente distância da caverna de um tigre, estendeu a comida e o chamou para comer. O tigre não veio. Na noite seguinte, fez a mesma coisa, desta vez mais perto da caverna. De novo, nada aconteceu. Todas as noites ela ia à caverna, cada vez se aproximando mais. Pouco a pouco, o tigre acostumou-se com ela. Certa noite, chegou a uma distância da qual se poderia atirar uma pedra na caverna e parou. A moça e o tigre fitaram-se sob a luz da lua. Na noite seguinte, ela se aproximou ainda mais, a ponto de estar tão próxima que poderia falar com o tigre com uma voz muito suave. Pouco depois, o tigre comeu a comida oferecida.

Na outra noite, o tigre a esperava. Depois que ele comeu, ela passou a mão sobre sua cabeça, e ele começou a ronronar. Seis meses tinham passado desde a noite da primeira visita. Finalmente, depois de tê-lo acariciado na cabeça, ela disse: "Ó generoso Tigre, preciso de um dos seus bigodes. Por favor, não se zangue comigo!". E ela cortou um dos bigodes. O tigre não se zangou, e lambeu-a. Ela correu disparada, com o bigode nas mãos. Exultante, chegou à caverna do eremita: "Ó grande sábio, consegui o bigode do tigre! Agora você pode fazer a poção mágica!". O sábio examinou o bigode cuidadosamente, satisfeito, porque era mesmo de tigre, e jogou-o na fogueira.

- O que você fez? - Gritou a moça. - Depois de todo o esforço que eu fiz para conseguir o bigode!
- Conte-me como você o conseguiu - pediu o sábio.
- Todas as noites, eu ia à caverna do tigre com uma tigela de comida, para ganhar a sua confiança. Falava docemente com ele, para fazê-lo compreender que só queria o seu bem. Fui paciente. Cada noite, levava comida sabendo que ele não a comeria. Mas não desisti. Nunca falei asperamente, nem o censurei. Finalmente, numa noite, ele andou alguns passos em minha direção. Nas noites seguintes, ele já estava à minha espera e comia mesmo da tigela. Passei a mão na sua cabeça e ele começou a ronronar. Foi aí que consegui cortar o bigode dele.
- Você domesticou o tigre com a sua persistência e amor - disse o sábio.
- Mas você jogou o bigode do tigre no fogo! Foi tudo a troco de nada! - Lamentou-se ela.
- Não, não foi tudo a troco de nada. Você não precisa mais do bigode. Será que o seu marido é mais feroz que um tigre? Será que ele é menos sensível ao carinho e à compreensão? Se você foi capaz de ganhar a confiança de um animal selvagem e sedento de sangue, usando suavidade e paciência, certamente poderá fazer o mesmo com o seu marido!

Yun Ok permaneceu emudecida por alguns momentos. Então despediu-se, agradecendo, e foi-se embora, refletindo sobre a grande verdade que havia aprendido do sábio da montanha.

MORAL DA HISTÓRIA:
O segredo para lidar com pessoas difíceis é não morder a isca da negatividade delas e deixar que elas mordam a isca de um coração empático e cheio de amor.


Fonte: Susan Andrews, psicóloga e monja iogue. Texto publicado na coluna Sua Vida, da Revista Época.

domingo, 30 de outubro de 2011

O que o distancia dos seus sonhos?


Pode acontecer que saiba claramente quais são as coisas que mais deseja na vida mas que, pelas mais variadas circunstâncias, esteja muito longe de as conseguir obter. Se assim for, importa saber quais os motivos para esse distanciamento.

Assegure-se da possibilidade de se estar a focalizar nas coisas que não deseja ou nas razões pelas quais não pode obter determinada coisa. Quando nos focalizamos naquilo que não desejamos, estamos a reforçar a continuidade desse estado de coisas e a afastar-nos daquilo que na realidade pretendemos. Assim, a solução estará em focalizar-se naquilo que quer e no que pode fazer para obter o que quer.

A função da mente é a de pensar mas quem escolhe o que pensamos somos nós. O seu futuro depende da soma dos seus pensamentos de hoje, por isso escolha pensamentos que o motivem e impulsionem no caminho que precisa seguir para ser bem-sucedido. Não alimente notícias negativas dos órgãos de comunicação social, intrigas ou conversas fúteis. Focalize-se em melhorar como ser humano, em suplantar-se, em dar o melhor de si próprio, em fazer a diferença.

Poderá também acreditar que não conseguirá nunca obter o que pretende, ou porque não se acha merecedor ou porque não se acha capaz. Em qualquer um destes casos, estará a ser o seu maior inimigo e a impedir-se a si próprio de obter o que deseja. Procure formas de reverter estas crenças negativas. Trabalhe a sua autoestima, cure o seu passado se for caso disso. É preciso que acredite em si próprio e nas suas capacidades.

Por outro lado, o problema poderá simplesmente residir no facto de não estar a tomar ações específicas para criar a vida dos seus sonhos. Aquilo que quer está lá, num futuro longínquo, e você protela infinitamente o momento de decidir o quer fazer para se aproximar desse futuro. Diz sempre para consigo próprio: “Amanhã vai aparecer uma forma, as coisas vão mudar”. Mas o amanhã será sempre igual ao dia de hoje, se você não tomar nenhuma ação nesse sentido.

É preciso que tome a decisão de procurar alternativas que o conduzam à mudança que pretende. Procure seguir os seguintes passos:

  • Pense em todas as alternativas possíveis para conseguir obter o que quer;
  • Veja com atenção quais os prós e os contras de cada alternativa;
  • Escolha a alternativa mais prazerosa e fácil de seguir.

Decida-se a tomar as ações necessárias e caminhe em frente, focalizando-se nas suas metas. Independentemente de qual seja a razão que o mantém distanciado do que deseja, tudo pode ser superado. Basta que tome consciência que o futuro está nas suas mãos e que se disponha a tomar os passos necessários.


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domingo, 23 de outubro de 2011

Despertando o mundo

Referindo-se ao mundo: (...) Ele tem estado sempre adormecido. Somente uns poucos indivíduos em toda a história do homem têm estado despertos. Seus nomes podem ser contados nos dez dedos, não mais que isso. E isto foi natural: o homem evoluiu dos animais.

Os animais estão em um sono profundo, eles não sabem que eles são. Este é o significado de sono - se é, mas não se está consciente de que se é. Nenhum animal está consciente de si mesmo.

E eu concordo com Charles Darwin, em bases diferentes... Suas bases são ordinárias, mundanas; podem ser criticadas, têm sido criticadas. De facto, ele não é mais um cientista aceite quanto à evolução da humanidade. A maioria dos cientistas tem desertado dele. Mas eu estou no seu apoio em uma base totalmente diferente.

A minha base é: olhando para o sono do homem - esta é a única possibilidade: que ele cresceu a partir dos animais - macacos, chimpanzés. Seja o que for, seja quem for, estava lá no começo. O sono do homem prova isso.

E somente raramente, uma vez ou outra - um Gautama Buda, um Bodidarma, um Sócrates - uma vez ou outra tem existido um homem que tem a coragem de sair do sono. É preciso tremenda coragem para sair do sono, porque nós temos investido muito no sono. É como um homem que está sonhando que está vivendo em um palácio dourado - com um grande reino, com todo o luxo - e você tenta acordá-lo.

Ele é somente um mendigo na rua. Somente mendigos sonham ser imperadores. Imperadores nunca sonham ser imperadores, isso seria simplesmente ilógico. O mendigo tem tanto investimento no seu sono e sonho, que ele irá resistir de todas as maneiras possíveis, para não ser acordado. Ele ficará irritado. Ele se oporá a você. "Quem é você para interferir na minha vida? Não pode você ao menos tolerar um homem que está tendo um lindo sonho?"

E mesmo se forçá-lo a despertar ele irá cair no sono novamente, porque acordado ele é somente um mendigo, adormecido ele torna-se um imperador. O investimento em sono psicológico é tremendo.

É por isso que todas essas pessoas - Gautama Buda, Bodidarma, Chuang Tzu, Plotinus, Heraclitus - todos eles falharam. Eles fizeram o seu melhor. Eles lutaram contra o sono do homem, mas, ainda, o homem está adormecido, e o que quer que ele faça prova que ele está adormecido.

Estas duas Guerras Mundiais provam que ele está adormecido. A vindoura Terceira Guerra Mundial pode ser evitada somente se nós pudermos despertar pessoas suficientes. Então estas pessoas tornam-se contagiantes e seguem despertando outras pessoas em uma corrente e isso tem que ser feito bem rápido, porque não há muito tempo.

De outra forma, as pessoas adormecidas irão destruir esta terra, esta vida. Os políticos estão adormecidos. Nenhuma pessoa desperta pode tornar-se um político pela simples razão de que ela não pode mentir, ela não pode lhe fazer promessas que ela sabe que nunca poderão ser cumpridas. Nenhuma pessoa desperta será um político, porque ela não tem nenhum desejo para preencher seu ego. Não há mais ego.

O ego existe como um eu substituto no sono. No momento em que você está desperto o ego não tem mais função, é desnecessário. Você está lá, agora você não precisa dele. E o homem que conhece a si mesmo não tem complexo de inferioridade.

A não ser que você esteja sofrendo de algum complexo de inferioridade, você não se envolverá em qualquer tipo de liderança - política, religiosa, social. Você não tem a base. O complexo de inferioridade é a causa de todos se tornarem ambiciosos, porque se eles não se tornarem alguém no mundo, então, aos seus próprios olhos, eles terão fracassado.

Eles querem provar-se, provar que "nós estamos aqui!", que "nós temos estado aqui!". Eles querem ter gravados seus nomes na História - embora saibam que mesmo os grandes nomes da História pouco a pouco vão deslizando da proeminência; tornam-se notas de rodapé, movem-se para o apêndice e porta afora(...).


Osho, in "O Último Testamento"

sábado, 8 de outubro de 2011

A importância de estar no lugar certo


Independentemente dos objectivos que possamos ter em mente, existem alguns factores que nos poderão ajudar a alcançá-los. Um deles é certamente saber colocar-se no lugar certo.


Da mesma forma que não se consegue pescar um peixe se não se estiver perto do mar ou do rio, muito naturalmente não se conseguirá realizar determinado objectivo se não se estiver no lugar certo. E o que é o lugar certo? O lugar certo é todo aquele que pode oferecer-nos oportunidades para realizar aquilo que queremos.

Imaginemos que o Pedro tinha como objectivo ser cantor. Será razoável afirmar que não lhe bastaria ter talento e ficar em casa a cantar em frente ao espelho, imaginando estar a cantar para um vasto público. A não ser que no seu prédio morasse alguém relacionado com o mundo da música que apreciasse os seus dotes vocais e se dispusesse a promove-lo, o melhor seria procurar por oportunidades. Obviamente, a par do talento natural, seria imprescindível muito treino e dedicação, efetuar exercícios para fortalecer o diafragma, procurar ter conhecimento dos seus limites vocais, entre muitos outros requisitos. Mas, para que oportunidades de evolução musical pudessem ocorrer, seria sem dúvida importante colocar-se no local certo. O local certo para o Pedro poderia passar por frequentar uma escola de música, inscrever-se no coro da escola ou de uma igreja, procurar por eventos de promoção vocais. Todos os locais em que pudesse expressar e cultivar o seu talento seriam os locais certos para o Pedro.

Não acredite que para se alcançar qualquer coisa na vida é necessário ter sorte. A verdade é que na maior parte das vezes nós somos os causadores da nossa sorte ou da ausência dela. Não podemos ficar deitados à espera que as oportunidades venham ter connosco. É fundamental que nos disponhamos a lutar pelo que queremos e que procuremos a maior proximidade possível às oportunidades que necessitamos.

Algumas questões que poderá querer colocar-se:

  • Está no lugar certo, no lugar que lhe pode oferecer oportunidades de realizar o que pretende?
  • O que tem feito ou pode fazer para se colocar numa posição capaz de lhe trazer “a sorte” que merece?
  • Existe algum conhecimento que possa adquirir ou competência que possa desenvolver que o capacite a promover as oportunidades que necessita?
Não se esqueça que nada se faz sem esforço. Quando estiver no lugar certo, continue a trabalhar para se tornar cada vez melhor. Faça-se rodear de companhias que o possam motivar a seguir em frente, tenha a humildade de perceber o muito que tem e terá sempre a aprender. As oportunidades acabarão por surgir com o tempo e, quando assim for, não se dê ao luxo de as desperdiçar.



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sábado, 1 de outubro de 2011

Acerca da alma


Algumas perguntas que poderão fazer



A alma é sólida, como o ferro?

Ou é macia e frágil, como

As asas de uma traça no bico de um mocho?

Quem a tem e quem a não tem?

Olho sempre à minha volta.

O rosto do alce é tão triste

Como o rosto de Jesus.

O cisne abre lentamente as suas asas brancas.

No Outono, o urso negro leva folhas para a escuridão.

Uma questão leva a outra.

Terá ela uma forma? Como um icebergue?

Como os olhos de um colibri?

Terá ela um pulmão, como a serpente e a vieira?

Porque serei eu a tê-la e não o papa-formigas

Que ama os seus filhos?

Porque serei eu a tê-la e não o camelo?

E, pensando bem, porque não os carvalhos?

Porque não os íris azuis?

E todos os pequenos calhaus, solitários ao luar?

E as rosas e os limões e as suas folhas brilhantes?

E a relva?



Autor: Mark Oliver

sábado, 24 de setembro de 2011

A Ostra e a Pérola



Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas.


Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão de areia.

Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado, uma linda pérola vai se formando.

Uma ostra que não foi ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.

O mesmo pode acontecer connosco. Já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Já sofreu o duro golpe do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?

Então, produza uma pérola!

Cubra suas mágoas com várias camadas de AMOR.

A maioria das pessoas aprende apenas a cultivar ressentimentos e mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.

Assim, na prática, o que vemos são muitas "Ostras Vazias", não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.

Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais do que mil palavras.



Fontes: Livro - A Ostra e a Pérola, de Adriana Dantas de Mariz


sábado, 17 de setembro de 2011

Que coisas são imprescindíveis para si?


Li recentemente uma entrevista com Andrew Hyde, um jovem criativo, consultor e empresário americano que achei bastante interessante e motivo de reflexão. Nessa entrevista, Hyde revelava ter um dia decidido viajar pelo mundo durante pelo menos um ano. Para isso, deixou o seu emprego e colocou lista na internet, vendendo tudo ou quase tudo o que lhe pertencia. Desde automóvel a motos, capacetes, material informático e artigos de vestuário, passando por artigos como tendas e botas de neve, por todo o mobiliário e equipamento do apartamento onde morava, livros, etc.


Hyde, se bem que pertencente a uma geração em que se medem as pessoas por aquilo que possuem ou não possuem, conseguiu libertar a mente e libertar-se de praticamente todos os seus pertences. Fê-lo sem lamentações e até com um certo orgulho. Orgulho esse retirado certamente da originalidade facultada pelo transpor do conceito minimalista (tão utilizado por exemplo na expressão artística) para o quotidiano. Neste caso tratava-se de como viver com o mínimo possível de objectos.

Para viajar, conseguiu ir limitando artigos até chegar a uma lista de somente quinze objectos que considerou para ele imprescindíveis. Se, como eu, sentir curiosidade em saber o que escolheu Hyde, eis aqui a lista:

  1. Mochila
  2. Iphone
  3. Máquina fotográfica
  4. Ipad
  5. Camisa de mangas compridas
  6. Camisa de mangas curtas
  7. Calças compridas
  8. Bermudas
  9. Roupa interior
  10. Sandálias
  11. Óculos de sol
  12. Carteira
  13. Toalha
  14. Jaqueta
  15. Estojo de toillete

‘*Hyde contou os carregadores do material informático como fazendo parte de cada item (Iphone, Ipad e Câmara fotográfica) Como roupa interior considerou também vários artigos.

Somente com estes objectos realizou 30-45 dias de viagem, não tendo considerado que se estivesse a privar de alguma coisa, à parte o facto de sentir saudades de diversificar as cores do vestuário. Por outro lado, referiu ter acumulado uma enorme bagagem em termos de experiência, salientando ter aprendido, entre outras coisas, o seguinte:

  • Ser mais paciente
  • Apreciar mais as coisas
  • Comer menos
  • Ser mais feliz
  • Ser mais rápido a julgar e a procurar alguém para viajar de novo com ele
  • Saber como é sentir-se diferente, falar de modo diferente e ser de facto diferente
  • Focalizar-se sempre nos aspectos positivos. Quando as coisas corriam menos bem, decidia valorizar pormenores (como a beleza da paisagem ou das pessoas que encontrava).

Como é que ele planeava o que fazer e visitar durante as viagens que realizou? Muito simples, não considerava planos a longo prazo. Fazia a reserva de alojamento em hostels através da internet, seguia as recomendações de pessoas que ia encontrando, fazia amizades e seguia lado a lado com outros viajantes de mochila como ele próprio. Para Hyde a vida passou a ser uma viagem, literalmente.

Esta história dá que pensar. Obviamente que a grande maioria de nós não poderá vender tudo o que tem e dedicar o resto dos dias a viajar pelo mundo (se bem que o desejassemos ardentemente), contudo, aqui deixo algumas questões para reflexão:

  • Até que ponto me faço rodear de coisas que não preciso?
  • O que posso dispensar em casa e no quotidiano, contribuindo para uma poupança significativa dos meus recursos e até dos recursos do planeta?
  • Que coisas acredito serem-me imprescindíveis? Anote numa lista.
  • Consigo reduzir ainda mais um pouco a lista, até atingir o número de coisas que tenho a certeza me será realmente impossível viver sem elas?
  • Se viajasse por períodos de 45 dias, conseguiria reduzir o conteúdo da minha bagagem a 15 artigos, como fez Hyde? Quais seriam?
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sábado, 10 de setembro de 2011

O pai perdoa


Escute, filho: enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada debaixo do seu rosto, os cachinhos louros molhados de suor grudados na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado da sua cama.

Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir a escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos. Gritei com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão.

Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café da chávena. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para apanhar o comboio, você virou-se, abanou a mão e disse “Chau, papai !” e, franzindo o sobrolho, em resposta eu disse-lhe: “Endireite esses ombros!”

De tarde, tudo recomeçou. Voltei e quando cheguei perto de casa vi-o ajoelhado, jogando o berlinde. Suas meias estavam rasgadas. Humilhe-o diante de seus amiguinhos, fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras - se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai!

Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei o meu olhar do jornal, irritado com a interrupção, você parou à porta: “O que é que você quer?”, perguntei implacável.

Você não disse nada, mais saiu correndo num ímpeto na minha direção, passou seu braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram se apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subindo correndo os degraus da escada.

Bom, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos se afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. O que estava o hábito fazendo de mim? O hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas - era essa a maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o facto é que eu esperava demais da juventude . Eu o avaliava pelos padrões da minha própria vida .

E havia tanto de bom, de belo e de verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e de dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite, filho. Entrei na penumbra de seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, envergonhado!

É uma expiação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um pai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei a língua quando palavras impacientes quiserem sair da minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: ” Ele é apenas um menino - um menininho ! ”

Receio que o tenha visto até aqui como um homem feito. Mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito.

Em lugar de condenar os outros, procuremos compreendê-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade. ” Conhecer tudo é perdoar tudo “.

"Father forgets", W. Livingston Larned


sábado, 3 de setembro de 2011

A vida como uma estrada


Vamos, por breves instantes, comparar a nossa vida com uma estrada. Vamos supor que necessitamos chegar a um determinado ponto longínquo e desconhecido para nós. Certamente, a primeira coisa que faremos será pegar num mapa, assinalar a nossa meta e traçar as estradas que nos conduzem do ponto onde estamos a esse determinado ponto que pretendemos alcançar. Outros detalhes poderão ser igualmente importantes, tal como determinar o tempo que levaremos a lá chegar, as etapas da viagem, os recursos necessários, etc.

De igual forma, na nossa vida, depois de identificadas as nossas metas, necessitamos de elaborar um plano detalhado quanto aos seguintes aspectos:

  • Que acções são necessárias para atingir os meus objectivos?
  • Em quantas etapas posso dividir o percurso?
  • Qual o prazo de tempo requerido para cada uma das etapas e acções?
  • São necessárias competências, recursos específicos ou ajudas externas?
Quando empreendemos uma viagem, mesmo na posse de um mapa, é possível que nos enganemos no caminho. Isso não será razão para desistirmos da viagem. Iremos certamente encontrar novos trajectos e reformular direcções.

De igual forma, na nossa vida, é possível que cheguemos à conclusão que nos enganámos em determinado ponto. É importante a tomada de consciência desse erro, para que possamos preparar novas abordagens. Parar não é uma opção. A única opção será encontrar novas maneiras para superar os obstáculos e chegar à etapa seguinte. Desde que mantenhamos o foco na nossa meta, conseguiremos sempre encontrar novos caminhos.

Quando viajamos, por vezes, somos tentados a desviar-nos da estrada principal. Por mais receio que tenhamos de nos aventurar no desconhecido, sabemos que os caminhos menos viajados costumam oferecer a recompensa das paisagens mais deslumbrantes.

Assim é também na vida. Por vezes, é necessário arriscarmos e fazermos pequenos desvios aos planos traçados. De outra forma, perderemos o encanto e prazer facultados por oportunidades esporádicas que a vida tem para nos oferecer. Assim, o poder de adaptação e a flexibilidade são capacidades que precisamos desenvolver.

Sempre que chegue a uma encruzilhada, decida confiar na sua intuição para o orientar. Seja espontâneo e permita-se entrar em contacto com o seu interior. Espontaneidade dá-lhe liberdade e a possibilidade de obter sucesso em novos empreendimentos.

Algumas perguntas de auto-reflexão pertinentes:

  • Estou focalizado nas minhas metas?
  • Como poderei tornar-me mais flexível e aberto à mudança?
  • Que alterações posso fazer para garantir que desfruto tanto o destino final como a viagem em si?
  • Tenho por costume confiar na minha intuição? O que faço para a desenvolver?
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domingo, 28 de agosto de 2011

Dolphin Companion

Medwyn Goodall, com a música Dolphin Companion. Para relaxar ao som da música e também das imagens de golfinhos.



sábado, 20 de agosto de 2011

Acerca do Prazer e da Dor

Recordo-me de, quando estava em Oxford, dizer a um dos meus amigos, enquanto caminhávamos nos estreitos passeios pejados de pássaros em redor de Magdalen, numa manhã do ano em que acabei o curso, que desejava provar o fruto de todas as árvores do jardim do mundo e que partia para o mundo com essa paixão na alma. E, de facto, assim parti e assim vivi. O meu único erro foi o de ter-me confinado exclusivamente às árvores daquele que me parecia ser o lado mais soalheiro do jardim e ter evitado o outro lado devido à sua sombra e à sua melancolia. Fracasso, desgraça, pobreza, mágoa, desespero, sofrimento, e mesmo lágrimas, as palavras entrecortadas que provêm dos lábios em tormento, o remorso que nos faz caminhar sobre espinhos, a consciência que condena, a auto-humilhação que castiga, a miséria que deita cinzas na sua cabeça, a angústia que elege o burel como indumentária e na sua própria bebida deita fel – tudo isto eram coisas que eu temia. E, embora tivesse decidido não as vir a conhecer, fui por meu turno, forçado a prová-las uma a uma, a alimentar-me delas e a não ter, durante um certo período, nenhum outro alimento.

Não lamento nem por um instante ter vivido para o prazer. Fi-lo plenamente, como se deve fazer tudo aquilo que fazemos. Não houve prazer que eu não tivesse experimentado. Lancei a pérola da minha alma para uma taça de vinho. Desci o caminho do prazer ao som das flautas. Vivi de mel. Mas ter continuado a mesma vida teria sido errado, porque teria sido limitativo. Tinha de seguir o meu caminho. A outra metada do jardim reservava-me também os seus segredos.

Oscar Wilde, in De Profundis


domingo, 14 de agosto de 2011

Precisa de uma mudança na sua vida?


Se bem que aparentemente possa estar acomodado na vida, a verdade é que a maioria de nós aspira a algo mais profundo e significativo. Muitas pessoas têm tudo o que seria expectável para ser feliz e, contudo, sentem que lhes falta alguma coisa que não conseguem identificar.

Uma carreira profissional bem remunerada, uma casa, um casamento e família, não são por si só sinónimo de felicidade. Apesar de termos sido educados para procurarmos ser bem-sucedidos materialmente, a verdade é que a nossa felicidade está intimamente ligada à nossa harmonia interior.

Nem sempre é fácil obter a percepção quanto à necessidade de efectuar uma mudança. E muitas pessoas dizem-me já ser velhas para efectuar uma mudança de vida que traga significado. Eu acredito que estamos sempre a tempo de aprender e de mudar, se for essa a nossa intenção, independentemente da idade que tenhamos. O mais difícil é saber em concreto o que é necessário mudar.

Para ajudar nessa definição, sugiro que pegue num papel e tente responder às questões abaixo.


  • Sinto-me confortável com o que estou a fazer actualmente? Estou realizado em que medida? E em que medida não o estou? 
  • Estou contente com o que consegui realizar até hoje?
  • Fiz o suficiente por mim próprio? 
  • Qual o máximo a que poderei aspirar na vida? Tenho potencial para o conseguir?
  • O que quero realmente? O que me motiva?

Desenvolvimento pessoal não se trata unicamente de empreender uma mudança física ou psicológica, seja ela qual for. É antes de mais uma tomada de consciência profunda que nos impele a evoluir e dar o máximo de nós próprios.

Lembre-se que poderá vir a ser tudo a que se venha a propor. Caso tome consciência que é necessária uma mudança para que a sua vida tenha significado, disponha-se a clarificar e a tomar as acções necessárias para levar a cabo essa mudança.



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sábado, 6 de agosto de 2011

Validation

Validation é uma curta-metragem que serve para ilustrar o poder de um sorriso e de um elogio sentido. No fundo, quer estejamos disso conscientes ou não, todos nós procuramos agradar e ser reconhecidos.
Podemos com toda a certeza ter uma abordagem mais positiva do mundo se procurarmos ver o melhor que existe nos outros, ao invés de nos focalizarmos nos seus defeitos.



domingo, 31 de julho de 2011

Quando o desânimo nos leva a desistir

Começou por ser difícil para a Maria conseguir identificar objectivos. A verdade é que ela não sabia muito bem o que queria da vida. Sentia que as coisas não estavam bem, tanto no emprego como na vida pessoal, mas não conseguia discernir aquilo que a faria feliz e realizada. Os seus sonhos eram demasiado vagos, do tipo “gostaria de viver num mundo melhor, onde as pessoas tivessem valores e se ajudassem umas às outras; gostaria de ter mais dinheiro”. Pois sim, mas e que mais? Só isso não chegava para traçar objectivos de um modo realista.


Após algum tempo de trabalho interior, as coisas mudaram de figura. A Maria estava eufórica porque tinha descoberto aquilo que poderia contribuir para que a sua vida ganhasse uma nova cor. Conhecia agora as suas paixões, os seus talentos, a forma de fazer a diferença no mundo. Tinha finalmente um sonho pelo qual lutar. Podia estabelecer um plano de objectivos.

A Maria acreditou. Durante algum tempo empenhou-se verdadeiramente em tomar diligências que a colocassem no rumo das suas metas. Estava avisada que não ia ser fácil, que iria encontrar obstáculos pelo caminho mas manifestava-se determinada a não recuar.

Contudo, o tempo foi passando sem que nada de novo acontecesse. Os seus esforços não eram recompensados e, por isso, rapidamente começou a sentir-se desencorajada e frustrada. Começou a duvidar das suas capacidades. Desabafou com o pai, o que serviu para a precipitar mais fundo ainda no desânimo. “Filha, é tudo muito bonito mas a realidade é que precisas de dinheiro ao fim do mês. Esses teus sonhos estão-te a dar dinheiro?” Não estavam. Por isso, acreditou que estava a ser irrealista e começou a procurar todos os tipos de desculpa para abandonar os seus projectos. Afinal de contas, o seu trabalho não era tão mau assim. Afinal de contas havia muita gente desempregada e a passar fome. Afinal de contas ela tinha o seu ordenado ao fim do mês. Afinal de contas a sua vida não era tão má assim, tinha a sua família que a apoiava, etc., etc.

Escusado será dizer que a Maria desistiu de lutar pelos seus sonhos e colocou os seus projectos na gaveta. Optou por ficar na sua zona de conforto, não tomar mais riscos nem gastar mais tempo. Conformou-se com uma vida que sabia não ser a melhor para si mas que lhe garantia o estilo de vida a que estava habituada.

Infelizmente, a Maria não é um caso único. Situações como esta são muito frequentes e são a causa da maioria dos fracassos. Porque é que isto aconteceu? Simplesmente porque fazemos parte de uma sociedade em que se exigem resultados imediatos. Tudo é urgente, tudo tem prazos curtos, tudo é descartável. Não funciona, deita-se fora. A Maria, como muitos de nós, não conseguiu esperar. Quis forçar as coisas a acontecer.

Seguem-se algumas ideias:

  • Elabore o seu plano de acções com minúcia e detalhe. Esforce-se por estabelecer e cumprir todas as etapas.
  • É preciso conceder tempo às nossas intenções para que estas se manifestem. É necessário ter perseverança e não desistir. 
  • Não forçar as situações. Por vezes as coisas manifestam-se de forma completamente diferente ao que idealizamos. Esteja receptivo a condições e oportunidades inesperadas. Preste atenção às coincidências. Existem mil caminhos que levam ao que pretendemos atingir, por isso temos de ser flexíveis com as circunstâncias, apesar de ser imprescindível não perdermos a focalização nas nossas metas.
  • Quando der consigo a sentir-se desencorajado, procure por livros, artigos e material que lhe sirva de motivação. Procure a ajuda de profissionais ou de alguém que sabe ter passado pelas mesmas etapas que precisa enfrentar. Da mesma forma, evite falar dos seus projectos com pessoas conformadas com a mediocridade.
  • Recorra a todo o tipo de expediente para se manter focalizado. Mantenha-se permanentemente ligado com os seus sonhos, com os seus objectivos. Cada dia que passa esforce-se por fazer pelo menos uma acção que tenha a ver com esses objectivos.
  • Esteja preparado para proceder a ajustes quando necessário. Ou seja, se determinada acção se revelar errada, aprenda com o erro e faça de outra maneira. Encare os erros como aprendizagem e nunca como fracasso. Só nunca erra quem escolhe não sair do mesmo lugar.

Para finalizar, posso dizer-vos que os sonhos da Maria não eram de todo irrealistas, a noção do prazo de resposta é que foi completamente irrealista. Era necessário resistência, esforço continuado e perseverança. Se fosse fácil e rápido, todas as pessoas sem excepção estariam a viver os seus sonhos.


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domingo, 24 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Pacote de Biscoitos

Uma jovem estava no aeroporto a aguardar pelo seu voo. Como teria de esperar algumas horas, decidiu comprar um livro para se entreter. Comprou também um pacote de biscoitos.

Sentou-se numa cadeira confortável, na sala VIP do aeroporto, para descansar e ler sossegadamente o seu livro. Um homem sentou-se no lugar mesmo ao seu lado, abriu uma revista e começou a folheá-la.

O pacote de biscoitos estava aberto ao seu lado, entre ela e o homem. Ela tirou o primeiro biscoito do pacote e o homem imitou o seu gesto, tirando também um biscoito.

Ela sentiu-se irritada mas não disse nada. Limitou-se a pensar: “Mas que grande lata! Merecia mesmo que lhe desse um murro na cara!”

Por cada biscoito que a jovem retirava do pacote, o homem retirava também um biscoito. Isto fazia com que ela se agitasse na cadeira mas o pavor de causar um escândalo impedia-a de dizer fosse o que fosse. Quando restava apenas um biscoito no pacote, ela pensou: “Sempre quero ver o que é que este abusador vai fazer agora!”

Nesse preciso momento, o homem calmamente retirou o último biscoito do pacote, partiu-o ao meio e deu-lhe uma das metades. “Isto é de mais!”, pensou ela. Agora estava verdadeiramente enfurecida. Lançou-lhe um olhar de ódio, pegou com maus modos no seu livro e nas suas coisas e saiu intempestivamente da sala de espera.

Quando, mais tarde, se sentou no seu lugar do avião, abriu a mala de mão para retirar os seus óculos. Foi então que emudeceu ao deparar-se com o seu pacote de biscoitos. Nem queria acreditar. O pacote de biscoitos que comprara no aeroporto estava ali, perfeitamente intacto.

Sentiu as faces a arder de vergonha ao compreender que se tinha enganado. O pacote de biscoitos que pensara ser seu, pertencia afinal ao homem da sala de espera do aeroporto. E ele tinha dividido os seus biscoitos calmamente enquanto ela se enfurecera por pensar que estava a dividir os biscoitos com outra pessoa. E, naquele momento, não havia a mínima hipótese de procurar pelo homem para se explicar e pedir desculpas pela sua conduta.

O que significa para si a partilha? Costuma partilhar grandes ou mesmo pequenas coisas com os outros? Lembre-se que a vida passa depressa, por isso não perca as oportunidades de dar um pouco de si aos outros.

Traduzido e adaptado da língua inglesa, de texto de autor desconhecido

sábado, 9 de julho de 2011

Podes fazer a diferença

Encontra-se online, através do Youtube, o video de divulgação do site Vida Com Propósito. Espreitem e digam se gostaram.