quarta-feira, 23 de junho de 2010

Vendo-se a Si Próprio Como Uma Criança


«...Se pegássemos numa criança de três anos e a puséssemos no meio de uma sala e se você e eu gritássemos com essa criança dizendo-lhe o quanto ela é estúpida, como nunca foi capaz de fazer alguma coisa de jeito, como deveria fazer isto e deveria deixar de fazer aquilo e para olhar para a confusão que fez; e, também, se lhe batêssemos algumas vezes, acabaríamos por ter uma criancinha assustada que ficaria sentada no seu canto, muito dócil, ou uma criança terrível que daria cabo da sala. A criança seguirá uma dessas duas vias, mas nunca conheceremos o potencial dessa criança.

Se pegarmos na mesma criança e lhe dissermos quanto a amamos e quanto nos interessamos por ela, que gostamos do seu aspecto e de ver como ela é esperta e inteligente e que apreciamos a maneira como ela faz as coisas e que não importa que faça erros à medida que vai aprendendo – e que sempre estaremos ao seu lado para qualquer coisa que ela necessite – então o potencial que surgirá dessa criança deixá-lo-à boquiaberto!

Cada um de nós tem dentro de si uma criança de três anos e passamos a maior parte do tempo a gritar com essa criança. E em seguida perguntamo-nos por que razão as nossas vidas não funcionam.

Se tivesse um amigo que passasse a vida a criticá-lo, gostaria de estar perto dessa pessoa? Talvez tenha sido esta a forma como foi tratado enquanto criança e, se assim foi, isso é lamentável. No entanto, já aconteceu há muito tempo e se, agora, escolhe tratar-se da mesma maneira, isso é ainda mais lamentável.

Pegue numa folha de papel e faça uma lista de todas as coisas que os seus pais lhe disseram que estavam erradas consigo. Quais foram as mensagens negativas que ouviu? Demore algum tempo para pensar com calma no maior número de coisas que consiga recordar. Uma meia hora usualmente chega.

O que foi que lhe disseram a respeito de dinheiro? O que foi que lhe disseram a respeito do seu corpo? O que foi que lhe disseram acerca do amor e dos relacionamentos? O que foi que lhe disseram a respeito do seu talento criativo? Quais foram as coisas negativas ou limitativas que lhe disseram?

Temos, pois, à nossa frente uma lista das mensagens negativas que ouvimos quando crianças. Até que ponto é que essa lista corresponde ao que você pensa que está mal consigo? Quase tudo? Provavelmente, sim.

É nessas mensagens dos nossos primórdios que estabelecemos as bases do guião das nossas vidas. Todos somos crianças bem-educadas e obedientemente aceitamos tudo o que “eles” nos dizem como verdades. Seria muito fácil culpar os nossos pais e ser vítimas até ao fim dos nossos dias. Mas não seria muito divertido e, com toda a certeza, não nos tiraria do pântano...»

Hay, Louise. In Pode Curar a Sua Vida

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