quinta-feira, 3 de junho de 2010

Fazer de conta até que seja verdade


William James, conhecido como “o pai da psicologia”, afirmou um dia: “Se pretende uma qualidade em especial, proceda como se já tivesse essa qualidade”. Na prática, trata-se de proceder como se já fosse dono da qualidade, comportamento, ideal ou resultado específico que pretende. Disponha-se a agir como se estivesse pleno de confiança e a falta de confiança deixará de existir. Proceda como se fosse corajoso e o medo dissipar-se-á.

Convirá, antes de mais, não interpretar erradamente este princípio. Por exemplo, se uma pessoa tem um baixo rendimento, concerteza não deverá sair por aí a esbanjar aquilo que tem e não tem, fazendo de conta que é um milionário. Se uma pessoa gostaria de ser advogado, não é pelo facto de adquirir comportamentos e posturas desse profissional que o passa a ser. É obviamente necessário que a pessoa se disponha a tomar as acções necessárias para obter os objectivos pretendidos. Se eu quero ser bem sucedida financeiramente, preciso construir as medidas adequadas que me levem a aumentar os meus proveitos e a reduzir as minhas despesas. Se eu quero ser um determinado profissional, preciso estudar e ganhar as competências necessárias para exercer essa profissão.

Este princípio rege-se pelo fundamento de que antes que qualquer objectivo seja alcançado, existiu o seu equivalente mental. Ou seja, em primeiro lugar é necessário criar um sistema de crenças que suporte a concretização do objectivo. É mais aplicável no sentido de cultivar qualidades interiores tais como confiança, coragem, amor, paz, felicidade, entusiasmo, sentido de humor, espírito de equipa, etc.

Imagine que teve um dia frustrante no seu trabalho. Mal teve tempo ao almoço para engolir de pé uma sandes ao balcão de uma pastelaria, arreliou-se com um colega de trabalho e ainda por cima teve de enfrentar uma longa fila de trânsito no regresso a casa. Tem duas hipóteses. A primeira e mais comum é chegar a casa e começar a queixar-se do dia que teve. Embalado por esse estado negativo, poderá até começar a implicar com a sua família, habilitando-se desse modo a ter um serão tão frustrante como o dia. Se não lhe agrada o panorama, estou aqui para lhe mostrar uma alternativa mais construtiva. Ao subir os degraus para a sua casa, disponha-se a pensar em qualidades como o amor e felicidade. Abra a porta e simplesmente faça de conta. Comece a comportar-se como se sentisse essas qualidades. Distribua sorrisos e amor por toda a família. Faça esta experiência com verdadeira convicção, e vai ver que, passado algum tempo, as amarguras do seu mau dia não terão mais importância para si. Pode ter começado por ser uma mentira mas depressa se converte numa realidade.

Existe uma outra maneira de usar este princípio do “fazer de conta até que seja verdade”. Se não souber o que dizer ou fazer numa situação em particular, invoque alguém que conhece e admira e que sabe que dominaria perfeitamente esse problema. Pergunte-se:

  • O que é que essa pessoa faria nessa situação?
  • O que é que essa pessoa diria?
  • Que qualidades tem essa pessoa que lhe faltam a si?

Coloque-se na pele dessa pessoa e faça aquilo que lhe parece que esta faria. Ponha em prática tudo o que possa aprender. Vai sentir-se desconfortável mas não desista. Todas as mudanças provocam desconforto no princípio. Muitas pessoas tiveram de trabalhar arduamente para adquirirem determinadas qualidades que agora parecem inatas. Uma vez instaladas, essas qualidades passaram a fazer parte da sua personalidade.


Para suportar este princípio e multiplicar as hipóteses de sucesso quando se pretende integrar determinadas qualidades ou comportamentos que não possuímos, podemos considerar as seguintes mudanças:

  • Mudança de aparência física. Para criar uma imagem exterior que corresponda com a nossa verdadeira personalidade, podemos alterar a nossa roupa, acessórios, corte de cabelo, etc.
  • Mudança de estilo de vida. Passando pelo tipo de hábitos alimentares, carreira profissional e selecção de amigos até ao tipo de passatempo ou divertimentos, hobbies, etc.
  • Mudança de localização geográfica e meio envolvente. Pode também passar por alteração da decoração da nossa casa, mobília, carpetes, pinturas.
  • Modificação do padrão de discurso, adoptando o mais adequado à nossa nova personalidade. Este padrão pode incluir vocabulário, acento, ritmo ou tonalidade. Por exemplo, se somos muito acelerados a falar e queremos recriar uma personalidade calma e ponderada, impõe-se que nos habituemos a falar num tom mais baixo e pausado. Atenção também à linguagem não verbal, tal como os gestos e a própria postura.
  • Modificação das capacidades sociais. Se queremos pertencer a um determinado grupo, poderá ser necessário que imitemos os rituais sociais desse grupo. Isso poderá passar por adoptar determinado código de vestuário ou de hábitos de consumo.

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