quinta-feira, 6 de maio de 2010

Mantras


O uso de mantras é uma boa forma de potenciar a concentração enquanto medita. Mas, antes de mais, convém explicar a origem e significado dos mantras. Na realidade, não é bem definida a sua origem exacta. Os hindus acreditam que tenham surgido há dez mil anos, a partir da revelação do RIG VEDA, livro sagrado da Índia. Segundo outra versão, teriam sido originados por sábios e yoguis que há milhares de anos atrás meditavam no mais profundo silêncio em cavernas. Estes sábios teriam concentrado as suas mentes nos centros de energia vital (chakras), ouvindo as diferentes vibrações e traduzindo-as através das cordas vocais em letras, dando origem ao alfabeto do idioma sânscrito. Através das combinações dessas letras, teriam sido criados os mantras.


Mantra deriva da raiz MAN e do sufixo TRA. MAN, deriva da palavra MANAS (Mente) e significa pensar. TRA deriva da palavra TRANA, que significa controle. Assim, se bem que consistam geralmente de palavras ou textos sagrados, os mantras são qualquer combinação de sons que tenha por finalidade o auxílio no controle da mente. Para algumas escolas, qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto que detenha um poder específico pode ser definido como mantra. Não existe, em nenhum idioma moderno, um correspondente único à palavra mantra e é habitual que seja traduzido por “sons místicos ou sagrados”, “hinos” ou “discursos cantados”. Universalmente são considerados sons que elevam o espírito.


Segundo o Evangelho, o som é a matéria-prima do Universo. Leia-se a seguinte passagem: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele" (João 1:1-3). O que indica que os mundos e seres que compõem o Cosmos foram constituídos pelo som, pela palavra. As tradições orientais ensinam também que todas as coisas são compostas por energia e que, por sua vez, a energia emite vibrações. Estas vibrações assemelham-se aos sons e acredita-se que, ao utilizar determinados sons, se consegue influenciar as vibrações do corpo e, por conseguinte, a saúde física e o desenvolvimento espiritual. Não é por acaso que em todos os rituais religiosos existem hinos ou cânticos.


Um mantra não deve ser apenas entoado ou cantado, precisa de ser acompanhado por um pensamento. Considera-se também que algumas línguas são mais ricas do que outras em termos de vibrações. Isto aplica-se em particular ao sânscrito, considerado pelo Oriente como a primeira língua. Evita-se traduzir estas línguas pois a força e poder dos mantras reside nas vibrações emitidas pelo som e não nas palavras em si. Obviamente que, ao contrário das palavras, que poderiam sempre ser alvo de traduções, o som nunca o poderá ser.


Os mantras podem ter diversas finalidades. Existem mantras para elevar o nível de consciência, desenvolver a espiritualidade, despertar poderes psíquicos, invocar protecção, etc. No exercício da meditação, o uso dos mantras interessa-nos principalmente para tranquilizar a mente e facilitar a concentração.


A escolha de um mantra é um passo importante e pessoal. Convém experimentar e adoptar aquele que funcione melhor para si. Poderá utilizar uma frase de oração, ou uma palavra ou palavras específicas. Contudo, como regra, convém que o mantra não seja demasiado extenso, para que se consiga conjugar facilmente com a respiração. Seguem-se alguns exemplos de mantras, ordenados segundo a sua origem:

Orientais: “OM”, “HAMSAH”, “SHANTI”.
O “OM” é o mais utilizado e também o mais poderoso. É a representação universal da própria ideia de Deus, da Unidade, do Absoluto. É o som primordial que contém todos os outros sons e do qual toda a criação surgiu. Escreve-se “OM”, mas pronuncia-se “AUM”. Os sábios indianos afirmam que a eficácia deste mantra não tem limites.

Judaicos: “SHEMA YSROEL”, “SHALOM” (que significa Paz), “HASHEM”.

Cristãos: “PAI-NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU”, “AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA”, “SENHOR TENHA PIEDADE”, “O SENHOR É MEU PASTOR”.

Universais: “UM”, “PAZ”, “CALMA”,”RELAXE”, “AMOR”, “DEIXE IR”.

Os mantras podem ser uma ajuda preciosa para obter a concentração que se pretende na prática da meditação, quer sejam repetidos somente em pensamento ou cantados (para obter todos os benefícios das vibrações do som). Se desejar adoptar o seu uso, comece por escolher o mantra que mais significado tenha para si. De seguida, poderá utilizá-lo da seguinte forma:
  • Sente-se de forma confortável, mantendo a coluna naturalmente alongada, numa postura livre de rigidez ou tensão.
  • Feche os olhos e, para ajudar à concentração geral, focalize-se na respiração.
  • Respire naturalmente pelas narinas. Perceba o movimento natural da respiração. Deixe que a respiração suavize o corpo e aquiete a mente.
  • Inspire profundamente e, ao expirar, entoe o mantra. Faça com que o som saia prolongadamente, iniciando-se na garganta e terminando nos lábios cerrados.
  • Entoe o mantra as vezes que quiser, o tempo que quiser. Pode repetir o mantra em cada exalação ou utilizá-lo independentemente da respiração. Pode ser utilizado ao longo da meditação ou somente assim que a mente comece a vaguear.
  • No final da meditação, reserve um período de silêncio. Permita-se sentir a paz que o mantra transmite à sua mente.


Quando o mantra se tornar parte da meditação, poderá experimentar usa-lo noutros contextos e situações. Considere utilizar o mantra sempre que se veja envolvido em situações de ansiedade, medo ou qualquer outra emoção negativa. Utilize-o como técnica relaxante antes de qualquer actividade que lhe cause apreensão. Verificará que este lhe trará conforto e paz de espírito.

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