terça-feira, 20 de abril de 2010

Desenvolvimento Pessoal e Mudança




Há pouco tempo atrás uma amiga confidenciou-me que durante quase cinco anos passou todos os dias por um parque repleto de árvores e plantas sem nunca reparar na beleza que a rodeava. Tudo estava ali, à frente do seu nariz, mas atravessava o parque sem nada ver. Isso acontecia porque a sua atenção estava centrada noutras coisas, nas preocupações do dia-a-dia, tal como o atraso que iria comprometer o horário na empresa onde trabalha ou a troca de palavras desagradáveis que tivera com algum familiar. Um dia, alguém lhe chamou a atenção para a raridade e beleza das plantas daquele parque e ela ficou pasmada consigo própria. Fizera aquele trajecto durante tanto tempo e nunca tinha reparado em pormenores que alguém descobrira ao visitar a zona por uma única vez. Como era possível?
A resposta é simples e válida para tudo na vida: somente vemos aquilo que queremos ver. O mesmo acontece, por exemplo, relativamente ao interesse por desenvolvimento pessoal. Enquanto não estivermos preparados para uma mudança, poderemos ter acesso a todo o manancial de informação necessária para essa transformação mas não estaremos receptivos à assimilação dessa mesma informação. A nossa atenção estará focalizada noutros assuntos e noutros interesses.

Muitas pessoas não gostam e chegam mesmo a repudiar o tema do desenvolvimento pessoal porque não estão dispostas a fazer transformações ou mudanças na sua vida. Mudar não é fácil. Mudar significa fazer algo de novo, algo a que não estamos acostumados e nos é desconhecido. Como a função da mente é manter-nos num nível confortável de segurança, fará uso de todos os estratagemas que possam impedir de tomar decisões encaradas como potencial risco para a sobrevivência. E o desconhecido é encarado como risco.

Não raras vezes, o interesse pelo nosso próprio desenvolvimento pessoal é despoletado quando somos confrontados com experiências dolorosas que, de alguma forma, nos fazem chegar a um ponto de ruptura. Torna-se impossível continuar a experienciar tal grau de sofrimento, por isso ficamos receptivos à mudança. Nessas circunstâncias, o risco do desconhecido é preferível a ficar no mesmo ponto insustentável de dor.

Mesmo sem essas experiências limite, saiba que a mudança irá acabar por acontecer na sua vida. Inevitavelmente, quer queira quer não, mais tarde ou mais cedo, irá cruzar-se com pontos de viragem que o farão reconsiderar toda a sua existência. “Quem sou eu?”; “Qual a finalidade da minha vida?”; “O que estou afinal aqui a fazer?”; “De que vale toda esta luta?”, são algumas das perguntas mais utilizadas nos chamados períodos de crise em que tudo é colocado em questão.

Contudo, não é preciso chegar a momentos de grande sofrimento ou de crise, em que uma mudança se torna fundamental e inevitável, para compreender a necessidade de aprendizagem e desenvolvimento pessoal. As pessoas que procuram genuinamente a felicidade, estão dispostas a trabalhar o seu próprio interior e não se poupam a esforços para melhorar o desempenho. Estão dispostas a tornar-se na melhor versão de si próprios. Procuram toda a informação disponível que possa servir de alavanca a um melhoramento contínuo das suas capacidades. Do mesmo modo, sabem aceitar as mudanças de braços abertos, desafiando as inseguranças e os medos. Sabem que somente através de mudanças e transformações é possível atingir o patamar da excelência.

Sem comentários:

Enviar um comentário