terça-feira, 23 de março de 2010

A Concentração e a Focalização

Uma das maiores dificuldades na prática da meditação prende-se com a concentração e focalização. Todos os iniciantes acabam por perceber rapidamente o quão difícil se torna silenciar a mente. Essa dificuldade advém do facto de pensamentos fugidios estarem constantemente a aparecer, saltitando de assunto em assunto ou retornando sistematicamente para um único tema que nos preocupa no momento. Pensamos em tudo menos naquilo que escolhemos para nos focalizar. Assim que nos apercebemos do que está a suceder, fazemos esforços para nos mantermos concentrados e a coisa até parece correr bem durante alguns segundos mas, de repente, torna a surgir um pensamento relâmpago de uma compra que queremos fazer ou de uma conversa que tivemos ao almoço.

Muitas pessoas sentem-se desanimadas ao aperceberem-se que não conseguem controlar os seus pensamentos por muito tempo e acabam por desistir logo de início.

Não se pode dizer que seja fácil mas é perfeitamente possível aprender a treinar a mente. É tudo uma questão de tempo e de persistência. É também uma questão de aprendizagem e de experiência. Quanto mais nos exercitarmos na prática da meditação, mais progressos iremos obter.

É necessário entender que não existem boas ou más meditações. Algumas são profundas, outras são mais superficiais. Algumas vezes a mente está calma, outras vezes está mais barulhenta. Não caia na tentação de comparar a meditação que está a fazer com a meditação que fez no dia anterior. Abstenha-se de julgamentos. Mantenha uma atitude de aceitação e nunca se culpe pelos resultados, por mais negativos que lhe possam parecer. A meditação acaba sempre por proporcionar uma redução da tensão física, a diminuição da ansiedade e um crescente sentido de controlo. Má meditação é somente aquela que não se faz.

O principal objectivo da prática da meditação é, para a maioria das pessoas, libertar a mente de ansiedades e temores e alcançar um estado de paz e tranquilidade. Para isso, é necessário deixar ir os pensamentos e as emoções, simplesmente observá-los sem julgamentos e não se deixando influenciar por eles. Para facilitar o processo, é aconselhável manter a atenção em qualquer coisa, ou seja manter um foco específico. O método mais utilizado para manter essa focalização é a respiração.

Uma respiração correcta passa pelo diafragma e não pela parte superior do peito, na medida em que a contracção do diafragma permite um gasto reduzido de energia e facilita a ventilação na parte inferior dos pulmões. Para manter a focalização, deverá em primeiro lugar preocupar-se em manter uma respiração profunda e prolongada, inalando e exalando pelas narinas. Um exercício útil poderá ser contar quer as inspirações quer as expirações – conte de um a dez e volte novamente ao um. À medida que ganha experiência, alargue a contagem até chegar aos trinta. Perdendo-se na contagem, o que decerto irá suceder muitas vezes no início, volte novamente ao início.

A par da respiração, poderão ser utilizados mantras ou, em alternativa e se preferir, preces curtas. As palavras, sons ou frases escolhidas deverão ser repetidas silenciosamente ou em baixa voz, intervalando com a respiração na forma que lhe pareça mais adequada.

Assim que se aperceba que os pensamentos começam a surgir, concentre-se suavemente no seu foco. Não reprima os pensamentos, simplesmente deixe-os ir. Quando deixar de prestar atenção quer aos pensamentos quer ao seu foco, irá experimentar paz e serenidade. Não se preocupe em trazer de volta a mente para o foco, a mente voltará a focalizar-se por si só. Relaxe e simplesmente usufrua essa paz e a serenidade. A final de contas, esse é o prémio valioso da prática da meditação.

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