quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Uma Questão de Pontos de Vista





Teve uma discussão com um familiar, amigo ou colega de trabalho. Enfureceu-se de tal forma e os seus sentimentos ficaram tão à flor da pele que só conseguiu ver as suas próprias razões. Nesse momento teve a certeza absoluta que era dono da razão, pouco se importando com os pontos de vista da outra pessoa.

Agora, à distância do tempo, sempre que se recorda da discussão sente ainda um amargo de boca. Se por acaso a outra pessoa toca no assunto, não deseja falar nisso e desvia a conversa, temendo reacender a polémica.

Existe uma técnica de PNL para lidar com situações como a que acabei de descrever. Segundo Richard Bandler poderá até mudar de perspectiva fazendo o seguinte:

  • Pense numa discussão que tenha tido com alguém e que ainda esteja bem presente na sua memória. Tem de ter a certeza que estava com a razão. Relembre-se de todas as cenas do episódio, tintim por tintim.
  • De seguida, passe todas as imagens de novo na sua memória, mas tente dissociar-se ou seja, sair da sua própria pessoa e colocar-se de parte como se fosse um mero espectador. Assista a todas as cenas do princípio ao fim, repare nas suas reacções, na sua fisionomia, nas palavras que utilizou. Assista aos argumentos do seu interlocutor e identifique os pontos de vista dele.


Poderá surpreender-se com os resultados desta experiência. Algumas pessoas notam de imediato pontos sem nexo no seu argumento. Verificam que falaram simplesmente por impulso e que não prestaram atenção aos pontos de vista do outro. Pela primeira vez têm capacidade de dar ouvidos ao que a outra pessoa lhes queria transmitir na altura da discussão. Há quem se sinta mesmo ridículo ao observar o seu rosto e o seu tom de voz alterado e nervoso. E você, como se sente? Ainda tem a certeza que estava com 100% de razão nessa discussão?

Na realidade, pontos de vista são coisas muito subjectivas. Para um professor, as coisas podem ser bem diferentes do que para os seus alunos, tal como para um pai e o seu filho. Para um idoso as perspectivas também não se equiparam às de uma criança ou de um jovem. Culturas, épocas, áreas geográficas, raças e etnias, status, idades, o próprio sexo, podem fazer divergir os pontos de vista. O que hoje é verdade, amanhã deixa de o ser. O que hoje é proibido, amanhã passa a ser permitido e por vezes até desejado. O que em algumas culturas é normal noutros sítios do globo pode ser proibido e mesmo punível com penas pesadas.

Deixo por fim um truque que poderá utilizar sempre que alguma coisa o faça “ficar fora de si”. Respire fundo e pergunte-se o que vai achar desse incidente passadas algumas semanas. Será que isso fará alguma diferença dentro de algum tempo? Se a resposta for não, então é porque não valerá mesmo a pena estar a aborrecer-se. E não se esqueça de estar mais atento aos pontos de vista dos outros, a "colocar-se na sua pele", como se costuma dizer. E se as opiniões divergirem, entenda que não é necessário concordar-se com tudo. Duas pessoas ou mesmo um grupo podem perfeitamente ter pontos de vista diferentes e coexistirem pacificamente. Respeito e tolerância são chaves básicas para evitar conflitos e harmonizar relacionamentos.

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