domingo, 27 de dezembro de 2009

Meu Menino de Ouro



Nas limpezas do computador, encontrei um poema que escrevi na minha adolescência e que se adapta à quadra Natalícia que atravessamos. Assim, resolvi publicá-lo neste espaço.

Aproveito para desejar a todos os meus visitantes e amigos umas Boas Festas e um 2010 pleno de partilha, amor e solidariedade.



Meu Menino de Ouro
Ontem à tardinha passei por ti
e dos teus lindos olhos castanhos
vi brotar rios de lágrimas.
Eu sorria ao descer a estreita rua
e tu choravas, sozinho, numa esquina.
Estavas descalço, roto e despenteado
e tinhas a carita muito suja e triste.
Meu menino, meu menino pobre,
não chores quando eu descer a rua!

Não posso ficar com todos os pensos
que vendes para que te não batam,
não posso comprar-te sapatos ou botas
para que não te firam as pedras da rua,
não posso dar-te roupas quentes, abafos,
para que deixes de tiritar de frio,
não posso... não posso... que raiva!
Deves de estar farto de ouvir pessoas
a dizer que não podem fazer nada!


Olha, posso dar-te o meu amor, aceitas?
Penteio-te com os meus próprios dedos
para que os cabelos desgrenhados
não escondam esses olhos lindos.
Aperto a tua mão pequena na minha
e levo-te a passear pelas avenidas.
Falaremos sobre coisas belas e loucas,
sobre tudo o que possa dar alegria à vida.
Mas, meu menino, meu menino pobre,
não chores quando eu descer a rua!

Quero que abras as mãos e agarres o sol,
o segures com cuidado como a uma borboleta.
Fecha-as depois devagar, para nada te fugir,
e não reveles que guardas esse tesouro.
À noite, quando a cidade for um rio de luzes,
quando de mim nada mais restar que memórias,
aproxima-te duma janela e abre as tuas mãos,
solta ao vento o teu aprisionado raio de sol.


Estarás comigo nesse mesmo instante,
passarás a fazer parte dos bem-aventurados
que guardam mundos de esperança e sonhos
numas mãos fechadas e cheias de nada...
Meu menino, meu menino de oiro,
como brilham os teus olhos quando sorris!

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