quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Meditação dos Três Centros




Conseguiu dedicar alguns minutos para a prática da meditação. Está recolhido no espaço favorito que reservou só para si. Desligou os telefones e desligou-se de todos os compromissos, problemas ou burburinhos mundanos. Eventualmente acendeu uma vela ou colocou incenso a queimar. Está confortavelmente sentado e confere que a sua coluna se encontra direita. O seu queixo está um pouco para cima e a língua toca o céu-da-boca. As suas mãos repousam nas pernas, com as palmas para cima ou com os dedos polegares tocando os indicadores. Está tudo mais que perfeito mas... e agora, o que fazer?

Calma. Vou sugerir-lhe uma técnica para se exercitar na meditação.

Comece por respirar profundamente através do nariz. Exale prolongadamente para esvaziar todo o ar dos pulmões. Através de uma respiração “normal”, usualmente exalamos somente 40% do ar existente no organismo, por isso certifique-se que respira profundamente. De seguida, concentre-se nos seguintes pontos, dedicando cerca de 2 a 3 minutos para cada um deles:

  • No centro inferior do seu abdómen, logo acima dos órgãos reprodutores. Ao inalar, sinta o seu umbigo a expandir-se. Isto permite que o diafragma relaxe, facilitando a circulação do ar nos pulmões. Ao exalar, sinta o ar a ser expulso do abdómen.

    Visualize uma bola de energia cor-de-laranja, como um pequeno sol, crescendo no seu abdómen. A cada respiração visualize essa bola tornar-se mais radiante e luminosa. Imagine que essa bola se expande e alastra para o chão, como que adquirindo raízes que o conectam com o solo.

    Ao transferir energia para o centro abdominal, descrito como um ponto importante para técnicas meditativas, estará de facto a potenciar a criatividade e a adquirir orientação, estabilidade e harmonia. Estará a criar um reservatório de energia física e sexual que lhe garante força e vitalidade. Estará também a adquirir estabilidade emocional, tolerância e um contentamento geral com a vida.

  • No centro do seu peito, bem no coração. Mantendo a respiração tal como indicado no ponto anterior, visualize uma bola de energia verde, crescendo no seu peito. A cada respiração visualize essa bola tornar-se mais radiante e luminosa. Imagine que essa bola se expande em seu redor, derramando amor e gratidão por tudo e todos, enchendo a sala, toda a sua casa e todo o mundo.

    Focalizar-se no centro do coração permite-lhe libertar-se de emoções negativas, elevar as suas vibrações e alcançar um estado benéfico de positividade. Na medida em que a frequência das ondas cerebrais e os batimentos cardíacos diminuem, e a sua respiração se harmoniza, são gerados sentimentos e emoções positivas tais como amor, paz, sensibilidade, perdão, compreensão, gratidão, consciência de grupo e união com a vida. Estes sentimentos operam milagres e transmitem-lhe um bem-estar geral.

  • No centro superior da cabeça, bem no seu topo. Mantendo a respiração tal como indicado nos pontos anteriores, visualize uma bola de energia violeta, crescendo no crânio. A cada respiração, visualize essa bola tornar-se mais radiante e luminosa. Imagine que essa bola se expande para o alto, alastrando-se para o tecto e conectando-o com o espaço infinito.

    Focalizar-se no Centro da Mente pode ajudá-lo a desenvolver uma percepção de silêncio e intuição. Através dessa experiência compreenderá que faz parte de Um Todo, ao qual todos nós pertencemos. Desvanecerá a ilusão de separação e individualidade. Este ponto está associado ao mundo espiritual e à ligação com o Divino. Indica como qualidades e lições a aprender a unificação do Eu Superior com a personalidade humana, a união com o infinito, vontade espiritual, inspiração, unidade, sabedoria e compreensão divina. E ainda, idealismo, serviço voluntário, percepção além espaço e tempo, e conformidade de consciência.



Seguidamente poderá imaginar um fio vertical unindo estes três centros e através do qual a energia vai fluindo harmoniosamente através do corpo físico. Transfira de novo a sua atenção para a respiração.

No final da sessão, em que cerca de quinze a vinte minutos serão suficientes, verificará que se sente calmo, relaxado, em harmonia e repleto de energia para retomar as suas actividades.

Em alternativa, poderá trabalhar os três centros individualmente, um por cada sessão de meditação.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Meu Menino de Ouro



Nas limpezas do computador, encontrei um poema que escrevi na minha adolescência e que se adapta à quadra Natalícia que atravessamos. Assim, resolvi publicá-lo neste espaço.

Aproveito para desejar a todos os meus visitantes e amigos umas Boas Festas e um 2010 pleno de partilha, amor e solidariedade.



Meu Menino de Ouro
Ontem à tardinha passei por ti
e dos teus lindos olhos castanhos
vi brotar rios de lágrimas.
Eu sorria ao descer a estreita rua
e tu choravas, sozinho, numa esquina.
Estavas descalço, roto e despenteado
e tinhas a carita muito suja e triste.
Meu menino, meu menino pobre,
não chores quando eu descer a rua!

Não posso ficar com todos os pensos
que vendes para que te não batam,
não posso comprar-te sapatos ou botas
para que não te firam as pedras da rua,
não posso dar-te roupas quentes, abafos,
para que deixes de tiritar de frio,
não posso... não posso... que raiva!
Deves de estar farto de ouvir pessoas
a dizer que não podem fazer nada!


Olha, posso dar-te o meu amor, aceitas?
Penteio-te com os meus próprios dedos
para que os cabelos desgrenhados
não escondam esses olhos lindos.
Aperto a tua mão pequena na minha
e levo-te a passear pelas avenidas.
Falaremos sobre coisas belas e loucas,
sobre tudo o que possa dar alegria à vida.
Mas, meu menino, meu menino pobre,
não chores quando eu descer a rua!

Quero que abras as mãos e agarres o sol,
o segures com cuidado como a uma borboleta.
Fecha-as depois devagar, para nada te fugir,
e não reveles que guardas esse tesouro.
À noite, quando a cidade for um rio de luzes,
quando de mim nada mais restar que memórias,
aproxima-te duma janela e abre as tuas mãos,
solta ao vento o teu aprisionado raio de sol.


Estarás comigo nesse mesmo instante,
passarás a fazer parte dos bem-aventurados
que guardam mundos de esperança e sonhos
numas mãos fechadas e cheias de nada...
Meu menino, meu menino de oiro,
como brilham os teus olhos quando sorris!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Vencer os Medos


Por vezes deixamos que os receios e dúvidas nos dominem e impeçam de seguir os nossos sonhos. Ao permitir que o medo nos controle por longos períodos, a nossa qualidade de vida pode ser prejudicada e levar-nos a ficar prisioneiros da inércia e da estagnação.

Porém, tome consciência que o medo não é mais do que uma resposta automática oriunda da mente. É somente uma reacção natural a situações estranhas ou desconhecidas. Por ser instintiva, há truques que podemos fazer para ultrapassar essa reacção.

  1. Verifique as suas expectativas
    A existência de expectativas negativas é o factor que mais contribui para o prevalecimento do medo.
    Será que está sempre à espera que aconteça o pior? Será que se preocupa obsessivamente com o que poderá correr mal, em vez de se focalizar nas suas forças e capacidades?
    Se fizer um esforço consciente para ver o lado positivo de cada questão e por se relembrar que consegue lidar com toda a espécie de situações, verificará que os seus receios serão dissipados ou pelo menos diminuídos.
  2. Retire o crédito aos seus medos
    Os especialistas irão dizer-lhe que a maior parte das coisas que receia simplesmente acabará por nunca acontecer. Se olhar mais de perto os seus receios e tomar consciência de todo o mecanismo existente, verá que vai ser capaz de ultrapassar esses receios, pelo menos na sua grande maioria.
    Por exemplo, se não se sentir confortável a falar em público e precisar de fazer uma apresentação a nível profissional, poderá acontecer que o medo o leve a sentir que toda a sua vida se encontra em jogo. Poderá mesmo dramatizar a questão e começar a preocupar-se que se não se sair bem na apresentação poderá ser despedido, ou que o chefe poderá perder o respeito por si, ou mesmo que os colegas poderão criticar e rir-se da sua performance.
    Será que alguma destas coisas vai mesmo acontecer? É provável que, na maioria dos casos, tudo aconteça simplesmente na sua mente e não na realidade. A não ser que se esforce muito para que tal aconteça.
    Em vez de se preocupar com o que “poderá” acontecer se a sua apresentação não for boa, será mais assertivo fazer o oposto, ou seja concentrar-se na visualização de uma boa apresentação e da plateia aplaudindo o seu desempenho. Poderá também procurar descontrair-se através de exercícios respiratórios ou físicos. E se continuar a sentir-se inseguro, poderá sempre esforçar-se por se preparar melhor, por ensaiar a apresentação com a sua família e amigos, escrevendo notas, etc.
  3. Faça exactamente aquilo que mais receia
    Ao trazer à lembrança que o medo não passa de um sentimento, este perde muito do seu poder. Poderá então escolher ignorar esse sentimento e continuar em frente, a não ser que de facto esteja a lidar com situações de verdadeira ameaça.


Se medir os prós e os contras em todas as situações, poderá verificar que a possibilidade de consequências negativas é insignificante. Assim, nada o impede de simplesmente ignorar os seus medos e lutar pelo que realmente mais deseja. Evidentemente que não se pretende que se torne descuidado com as suas tomadas de decisão ou que tome riscos desnecessários. A intenção é conferir-lhe a capacidade de perceber quando se trata de um medo infundado, para que o possa ultrapassar e concretizar os seus sonhos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Viver como as Flores


Um discípulo, não encontrando resposta para as suas apoquentações, procurou o seu Mestre. Foi encontrá-lo em contemplação sentado frente a um jardim salpicado de flores. Após alguma hesitação, interrompeu o seu silêncio para perguntar:

"Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demasiado, outras são ignorantes. Algumas outras ainda são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam”.

“Pois então viva como as flores!”, respondeu o mestre sem retirar o olhar da imensidão do jardim.

“Mas como é viver como as flores?”, perguntou o discípulo, intrigado.

“Repare nestas flores”, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. “Elas nascem no esterco, no entanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo fétido tudo que lhes é útil e saudável mas não permitem que a aspereza da terra manche o frescor de suas pétalas”.

O discípulo sentou-se ao seu lado, em silêncio, sentindo o seu coração ser tocado amorosamente pelas palavras sábias do seu Mestre. Com um sorriso sereno, este continuou:

“É justo angustiar-se com as suas próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora. Compreende agora como é viver como as flores?".


Adaptado de texto de autor desconhecido


***********Nota: Os modernos conceitos de metáfora, baseados na obra de Milton Erickson, são adoptados pela PNL.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Tomar consciência do Diálogo Interno


Alguma vez prestou atenção à conversa que vai mantendo consigo próprio ao longo do dia? Não me estou a referir aos lembretes que vão surgindo na sua mente e que servem para o relembrar das actividades e tarefas que é necessário fazer ao longo do dia. Obviamente que também é uma forma de diálogo interno mas gostaria agora que se centrasse nas coisas que está constantemente a dizer a si próprio e que servem de suporte ao seu modo de ser e de estar na vida. Também importante ou até mais importante ainda é o tom que costuma utilizar nesse diálogo interno.


Quando comete um erro, repreende-se de forma agressiva? Humilha-se ou chama-se a si próprio nomes depreciativos? Cada vez que se esforça para fazer mudanças positivas na sua vida, por acaso costuma lamentar-se e pensar que é uma pessoa inútil e insignificante? Se sim, muito provavelmente considerará para si próprio que nunca faz nem nunca fará nada como deve de ser ou então que nunca "chegará aos calcanhares" das pessoas bem sucedidas socialmente. Obviamente que dessa forma o resultado será a continuação da estagnação na sua vida.


Um diálogo interno negativo pode provocar enormes estragos na sua auto-estima, especialmente se for repetido ao longo do tempo. Quando de uma forma sistemática vai dizendo coisas negativas para si próprio, é inevitável que acabe por acreditar nelas.
Com frequência, a maior parte dessas afirmações surge na infância. São proferidas pelos adultos, quer sejam os progenitores, familiares ou professores. Algo negativo poderá ter sido pronunciado acerca de si e depois repetido de forma continuada. Provavelmente sentiam desagrado por alguma acção ou hábito seus e procuravam demovê-lo através dessas afirmações depreciativas. Ou eventualmente poderiam tratá-lo rudemente mesmo quando nada fazia para merecer esse tratamento, simplesmente por fazer parte do contexto social ou cultural em que estavam inseridos.


Por mais dolorosa que essa experiência possa ter sido no passado, o pior é quando agora é você próprio a criar essas palavras negativas e a aplicá-las a si próprio repetidamente. Porém, nada está irremediavelmente perdido pois pode mudar o seu diálogo interno a qualquer altura, desde que se disponha a isso. Tudo o que necessita é de aprender a estar atento às palavras e ao tom que costuma utilizar internamente e, de uma forma consciente, substitui-las por outras mais amigáveis e encorajadoras.

Sugestão de trabalho - Passos para um diálogo interno positivo:

  1. Tome atenção à sua conversa interior
    Pode necessitar de alguma prática mas, ao prestar atenção de uma forma continuada, começará a dar-se conta das vezes em que fala consigo próprio de modo depreciativo.
  2. Ponha fim às mensagens negativas
    Quando reparar que está a pensar algo negativo, como por exemplo “Fazes sempre tudo errado, és mesmo um inútil”, pare de imediato e pergunte a si próprio se isso é verdade. Talvez por vezes cometa erros, mas está sempre a cometer erros? Pense em todas as coisas úteis que consegue fazer ou já realizou no passado.
  3. Substitua as mensagens negativas por outras positivas
    Assim que se aperceba que está a dizer coisas desagradáveis para si próprio, simplesmente esforce-se para pensar de outra forma. Poderá por exemplo dizer “Isso não é de todo verdade! Faço muitas coisas bem. Por vezes cometo erros mas toda a gente comete erros. Sou uma boa pessoa e esforço-me sempre por dar o meu melhor”.

Com o tempo, os seus esforços serão recompensados e ganhará uma forte auto-estima e respeito por si próprio e pelas suas capacidades. Provavelmente isso não acontecerá da noite para o dia, mas quanto mais trabalhar na mudança do seu diálogo interior melhor se sentirá consigo próprio. Estará com toda a certeza a preparar o solo para o crescimento de bons frutos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Meu Amigo


«...Meu amigo, eu não sou o que pareço. A aparência é apenas a túnica que trago vestida, uma vestimenta tecida com mil cuidados por mãos femininas e que me protege dos teus interrogatórios, protegendo-te a ti da minha negligência.

O “Ego” que me habita, meu amigo, reside na casa do silêncio, e aí permanecerá para sempre, inobservado e inacessível.

Não quero que acredites no que te digo nem que confies no que faço, pois as minhas palavras não passam dos teus próprios pensamentos convertidos em som e as minhas acções mais não são do que as tuas esperanças convertidas em acção.

Quando me dizes: «O vento sopra de este», eu respondo-te: «Sim, o vento sopra de este»; porque não quero que te apercebas que a minha mente não se preocupa com o vento mas sim com o mar.Tu não conseguirás entender os meus mais secretos pensamentos, nem eu quero que os entendas. Quero estar sozinho com o mar.

Quando para ti é de dia, meu amigo, para mim é de noite; no entanto, mesmo nessa situação, falo do meio-dia que dança nos montes e das sombras púrpuras que percorrem os caminhos e os vales; pois tu não consegues ouvir as músicas da minha escuridão, nem ver o movimento das minhas asas em luta contra as estrelas; coisas que, de bom grado, eu próprio não te deixo ver ou ouvir. Quero estar sozinho com a noite.

Quando tu ascenderes ao teu Céu, eu descerei ao meu Inferno. Mesmo então, tu lançar-me-às um apelo através do golfo sem ponte: «Meu companheiro, meu camarada»; pois não quero que vejas o meu Inferno. A chama queimar-te-ia a vista e o fumo encher-te-ia as narinas. E eu amo demasiado o meu Inferno para te deixar visitá-lo. Quero estar sozinho no Inferno.

Tu amas a Verdade e a Beleza e a Rectidão; e eu, para teu bem, digo-te que é bom e correcto que ames essas coisas. Mas, no meu coração, rio-me do teu amor. Contudo, não quero que pressintas esse meu riso. Quero rir-me sozinho.

Meu amigo, tu és bom e cauteloso e sábio; não, tu és perfeito; por isso, falo contigo sábia e cautelosamente. E, no entanto, eu sou louco. Mas eu mascaro a minha loucura. Quero ser louco sozinho.

Meu amigo, tu não és meu amigo, mas como poderás tu compreender isso? O meu caminho não é o teu caminho e, contudo, de mãos dadas caminhamos juntos...»

Gibran, Kahlil. In O Louco

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Lado Positivo do Erro


Possivelmente, para si os erros são sinónimo de sofrimento, de humilhação, de ruína e depressão. Pois bem, uma vez que para tudo existe um lado positivo e o erro não fugirá certamente à regra, venho convidá-lo a analisar o assunto sob uma perspectiva diferente.


A verdade é que através do erro, pode-se aprender a ser bem sucedido. Como poderia reconhecer o doce sabor do triunfo se não conhecesse o sabor da derrota? Como saberia traçar o caminho exacto para atingir aquilo que pretende, se não arriscasse trilhos que podem não funcionar? Quando se caminha por conta própria e sem guias, como a maior parte das vezes temos de fazer ao longo da vida, há que ser arrojado e não temer os perigos. Há que seguir o exemplo dos ancestrais navegadores que descobriram novos portos graças ao seu espírito empreendedor. Quantos erros cometeram eles antes de alcançar o que procuravam? E quantos novos portos descobriram simplesmente porque se enganaram na rota? Pense nisso.


Perca o medo de arriscar e falhar. Quem não arrisca não petisca, já lá diz o ditado. Quanto mais depressa falhar mais depressa saberá que determinado procedimento não funciona. E, consequentemente, mais depressa procurará soluções que de facto funcionam mesmo. Obviamente que na prática as coisas não são tão lineares mas penso que percebeu a ideia. O que interessa é tomar consciência dos erros, aprender com esses erros e depois muito simplesmente andar em frente e partir para outras soluções. Existem muitas outras oportunidades a testar e a agarrar, alguma delas vai ter de funcionar, certo?


Muitas pessoas pensam que somente existe o sucesso ou o “falhanço”. Na verdade, a única coisa que existe é o sucesso. Ao falhar, estamos a dirigir-nos inevitavelmente para o sucesso, desde que não desistamos de lutar. Falhar, desde que encarado como um processo de aprendizagem, confere força de carácter. E este atributo, por sua vez, é essencial ao sucesso. Através do erro, aprende-se como ser bem sucedido.
Nada é garantido, nada é obtido sem riscos. Se no seu interior sentir medo de arriscar, há que enfrentar e vencer esse medo. Deixar-se ficar sossegado no sítio em que se encontra actualmente não é melhor solução; pode parecer cómodo no imediato mas a médio e longo prazo não vai além da estagnação e da apatia.


Considere os riscos das suas acções e o pior que lhe pode acontecer caso falhe. Mesmo em situações limite existe sempre uma luz ao fundo do túnel. Nunca conheceu ninguém que tenha perdido tudo: posses materiais, casamento, casa e segurança? Veja o lado positivo da questão. Essa pessoa viu-se em circunstâncias em que não tinha nada a perder e tudo a ganhar. Pode começar tudo de novo, procurando um solo mais firme e construindo alicerces mais sólidos. Essa pessoa aprendeu, ganhou experiência de vida e sabe bem o que quer e, sobretudo, aquilo que não quer.


Falhar não significa que foi idiota ou ingénuo; significa que teve a coragem de explorar e experimentar coisas que podiam resultar em sucesso. Não significa que não saiba tomar decisões; simplesmente significa que aprendeu que é necessário tomar outras decisões diferentes. Falhar não significa que é um falhado; significa somente que ainda não foi bem sucedido. Não significa que seja inferior mas que simplesmente não é perfeito. Não significa que deva desistir mas que é necessário que se esforce mais profundamente.


Frequentemente, as horas mais negras e difíceis oferecem-nos as maiores oportunidades de crescimento e expansão. Os piores momentos escondem lições de aprendizagem que muitas vezes não compreendemos dessa forma; será preciso a passagem do tempo e a humildade suficiente para descodificar esses ensinamentos.



Ganho e perda são apenas os lados opostos da mesma moeda. Se é verdade que através da perda se ganha sempre alguma coisa, o oposto também é verdade, ou seja, através do ganho perde-se sempre alguma coisa. A nossa cultura é que impele a lutar ferozmente contra as perdas e a procurar incessantemente o sucesso. E é frequente procurar-se o sucesso cegamente, a qualquer custo, não respeitando nada nem ninguém. Essa luta contra a perda e busca incessante pelos ganhos é a principal causa de sofrimento, retardando paradoxalmente o verdadeiro sucesso. Só através tanto da perda como do ganho, aceitando ambos como oferendas, poderemos caminhar para o sucesso. No final, a perda nunca é perda na medida em que nos permite sempre ganhar qualquer coisa.


Errar não é sinónimo de “falhanço”, a não ser que aceite que de facto assim é. Somente se aceitar o erro como derrota, estará de facto a falhar. Se aceitar o erro como uma bênção que conduzirá ao sucesso, nunca irá falhar. A vida constitui-se de todas as experiências assimiladas, as boas e as más. Aprenda a usar os desafios como alavanca para se tornar numa melhor pessoa. A vida não se esgota num ou em alguns combates, sendo antes a soma de todas as derrotas e triunfos. A atitude de todos os que alcançam o sucesso faz a diferença. Ao errar, desde que tome consciência dos erros que comete e faça tudo ao seu alcance para os corrigir, estará de facto em movimento, estará a crescer e na rota do sucesso.