segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Bordado



Quando eu era pequeno, a minha mãe ocupava-se com bordados. Eu sentava-me no chão, brincando perto ela, e perguntava-lhe o que estava a fazer. Respondia-me que estava a bordar.

Todos os dias observava o seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada e repetia:

- Mãe, o que a senhora está a fazer?

Dizia-lhe que, de onde eu olhava, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso. Era um amontoado de nós e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos. Eu não entendia nada.

Ela sorria, olhava para baixo e docemente explicava-me:
- Filho, vai brincar que quando eu terminar o meu trabalho chamo-te. Deixarei que vejas o trabalho da minha posição.

E eu continuava a perguntar-me a mim próprio lá de baixo: "Por que ela usa alguns fios de cores escuras e outros claros? Por que estão os fios tão desordenados e embaraçados? Por que estão cheios de pontas e nós? Por que não têm ainda uma forma definida? Por que demora tanto tempo para fazer o bordado?"

Um dia, quando eu estava a brincar no quintal, a minha mãe chamou-me:
- Filho, vem cá e senta-te no meu colo.

Eu sentei-me no colo de minha mãe e surpreendi-me ao ver o bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tudo confuso e sem nexo mas de cima vi uma paisagem maravilhosa. Então a minha mãe disse-me:
- Filho, de baixo parecia confuso e desordenado porque não conseguias ver que na parte de cima havia um belo desenho. Mas agora que olhas o bordado da minha posição, já percebes o que eu estava a fazer.

Muitas vezes não entendemos o que está a acontecer nas nossas vidas. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo. É que estamos vendo o avesso da vida. Do outro lado, Deus está bordando...

(Prof. Damásio de Jesus)

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