terça-feira, 14 de julho de 2009

Iniciando a meditação


Uma das coisas mais importantes que deve estar ciente antes de iniciar a prática da meditação é que nunca conseguirá dominar o processo simplesmente através da leitura de manuais e sua consequente memorização. Não se trata de uma disciplina idêntica à história ou à geografia, em que se decoram as matérias e se fica mestre no assunto. Aqui, o mais valioso é a prática e somente através desta se podem obter bons resultados. As técnicas são importantes na medida em que lhe indicam o caminho correcto e podem ajudá-lo a ultrapassar os diversos obstáculos que lhe possam surgir, mas os ensinamentos de quem já percorreu os trilhos que agora vai iniciar nunca poderão substituir a sua prática directa.

Podemos dizer que entramos em meditação sempre que a nossa mente consiga ficar atenta a determinado estímulo, sem pensamentos que nos provoquem distracção. Significa viver o aqui e agora. Assim, a meditação pode ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar. Podemos meditar num comboio ou enquanto esperamos pelo autocarro. Podemos meditar enquanto caminhamos ou mesmo enquanto aspiramos o chão da nossa casa ou lavamos a loiça do jantar. Por muito mundana que seja a tarefa que estamos a fazer, se nos absorvermos completamente na mesma, podemos considerar que estamos a meditar.

Seja qual for a técnica que decida adoptar para meditar, o mais importante será sempre a sua capacidade de concentração. Sem concentração não existe meditação. E se, à primeira vista, lhe possa parecer que será fácil obter esse poder de concentração, desde já lhe digo que vai mudar de ideias quando passar à acção. Somente através de uma prática regular e constante, conseguirá aprender a concentrar-se. Isto porque fomos desde sempre treinados a pensar em muitas coisas ao mesmo tempo. A própria mente parece funcionar independentemente da nossa vontade, como se nos fosse exterior, saltitando de pensamento em pensamento, evocando memórias passadas e aspirações futuras, desviando-nos sistematicamente para fantasias e devaneios.

A capacidade de concentração adquire-se simplesmente através de uma prática continuada. Os primeiros passos consistem no sentar-se num lugar confortável e sossegado, relaxando o corpo e ficando consciente de pensamentos que possam causar distracção. Se estes pensamentos surgirem não devem ser reprimidos, simplesmente se deve tomar consciência dos mesmos, como se fossemos um observador atento a um filme. Só isto, mais nada. Parece pouco mas conseguir este pouco representa ultrapassar o maior dos obstáculos com que todo o iniciante na meditação se depara.

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